<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114</id><updated>2011-09-23T18:11:39.697-07:00</updated><category term='hehehehe'/><category term='desabafo'/><category term='DIVULGA'/><title type='text'>MOTEL</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4072367243815351326</id><published>2010-09-21T13:42:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T13:44:27.578-07:00</updated><title type='text'>INTEMPERANÇA(ou Uma para Wania Cristina)</title><content type='html'>Comprei um desses blocos de papel para treinar a verve, como se diz (vez ou outra envio uma crônica para o jornal). É necessário exercitar a escrita. E o pior de tudo é que eu, analisando friamente, não tenho exercitado porra nenhuma ultimamente, a não ser um ping-pongzinho nas minhas tardes sem ofício e sem função, mirando a bola e simplesmente descendo o braço. É bom, eu até que gosto: as crônicas nem sempre conseguem extrair todas as ferrugens da alma. Só que o ping-pong, descobri depois de matutar um pouco, jamais me transformará num homem famoso e reverenciado, cheio de mulheres lindas e histéricas batendo na minha porta – os chineses, afinal de contas, estão sempre por aí, mirando a bola bem melhor que eu. Acabou então que as piadinhas nas reuniões familiares, os amigos na mesa de bar e a própria vida em si têm me levado direto a tal objetividade universal, às camisas engomadas, aos currículos com mais de cinco laudas, todos cheios de invenções, e, agora, aos tais bloquinhos de papel.&lt;br /&gt;Lembro-me agora do dia em que eu, numa vã tentativa de conseguir a total autonomia financeira, me apresentei na secretaria de transportes da prefeitura municipal: sentado num banco, esperei por mais de quarenta minutos sem que ninguém me notasse – um pessoal analisando papéis, indo e voltando de uma sala para outra, apressados, sem parar. Garanto que Hemingway, numa situação dessas, já teria dado um murro em alguém. Será que ninguém me via? Notei então que, sentado lá no canto, pesando mais ou menos uns 150 quilos, uma espécie de sósia de Barry White olhava para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Já foi atendido? – ele perguntou.&lt;br /&gt;              - Sou Rodriguez – respondi, me empertigando todo -, o novo contratado. Mandaram um aviso, era para eu aparecer por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se levantou e caminhou até a parede, onde enxerguei algumas folhas de papel dependuradas, nomes e números, dezenas deles. Ficou olhando para aquilo por um bom tempo, murmurando algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Rodriguez – disse, virando-se, logo depois -, o seu nome não consta na lista.&lt;br /&gt;             - E isso significa o quê? – perguntei.&lt;br /&gt;              - Não sei. Vá até o quarto andar e procure dona Vânia Cristina, ela pode te dizer o que isso significa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá fui eu na direção do quarto andar, à procura de Vânia Cristina, que bem poderia ser uma das leitoras eventuais da minha coluna.&lt;br /&gt;Havia uma recepcionista e ela abriu os seus dentes quando me viu. Talvez me imaginasse algum chefe de gabinete ou candidato a deputado estadual. Com uma voz aguda, me informou que a dona Vânia Cristina estava viajando, só retornaria em alguns dias. Não importava. Sentei-me numa cadeira e contei a ela sobre a minha situação. Ela me escutava atentamente. Quando acabei, me olhou e disse que aquele meu caso só mesmo a dona Vânia Cristina poderia resolver.&lt;br /&gt;Saí dali intrigado, suspeitando que as coisas poderiam não estar indo tão bem como eu gostaria.&lt;br /&gt;Passei alguns dias em casa, lendo livros, vivendo um pouco a Paris dos anos 20. Era uma beleza por lá naquela época. Aproveitei e joguei também umas partidinhas de ping-pong, com o celular no bolso da bermuda, na expectativa, só que ele não deu sinal. Em que lugar estaria Vânia Cristina, eu pensava entre um ponto e outro, a morena dos seios fartos que lia minhas crônicas antes de dormir?&lt;br /&gt;             &lt;br /&gt;              - Ela chegou, mas no momento está numa reunião – me disse a recepcionista, quando voltei.&lt;br /&gt;              - Você falou que estive aqui?&lt;br /&gt;              - Ainda não. Se quiser, posso te ligar quando ela ficar a par de tudo.&lt;br /&gt;              - Certo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se esqueceu ou não quis falar? Aquela dificuldade de comunicação começava a me preocupar de verdade. O meu emprego sonhado, a realização dos desejos. Algo me dizia que talvez a secretaria de transportes do município não simpatizasse comigo. Será que eu fazia parte de alguma lista negra secreta? Será que investigavam o meu histórico, os dias de maresia, as noites de divagações nas mesas de bar cobrando o seu preço agora? Será que achavam as minhas crônicas ruins? Ou não me conheciam? Eu pensava e a cada instante a minha cabeça enchia-se de dúvidas e de teorias, de quase certezas também. Saí para fumar um cigarrinho, encontrei com o Barry White na escada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Ô, rapaz, você sumiu! – ele falou, como se fossemos amigos.&lt;br /&gt;              - Ainda resolvendo a minha estória.&lt;br /&gt;              - Conversou com a dona Vânia Cristina?&lt;br /&gt;              - Estou esperando ela sair da reunião.&lt;br /&gt;              - Que reunião? Falei com ela há 10 minutos, não tinha nenhuma reunião marcada.&lt;br /&gt;              - Mesmo?&lt;br /&gt;              - É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertei a mão de Barry, dei uma desculpa esfarrapada, falei que tinha me enganado sobre a tal reunião e retornei ao quarto andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               - Soube que dona Vânia voltou, minha querida, gostaria de conversar com ela agora.&lt;br /&gt;               - Olha, vou ser sincera com você, a dona Vânia não vai poder te atender hoje.&lt;br /&gt;              - Porquê?&lt;br /&gt;              - Porquê ela está muito atarefada.&lt;br /&gt;              - Pois então você diz a ela que eu vim tratar do assunto do jornal.&lt;br /&gt;              - Como assim? – ela me perguntou.&lt;br /&gt;               - Escrevo para o jornal também, se você não sabe. Creio que ela deve estar por dentro dessa minha visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recepcionista me olhou com aquela cara que tinha, uma cara estranha, o nariz apontando para frente, a boca meio retorcida, como se eu estivesse falando chinês ou qualquer coisa assim. Depois de alguns segundos, no entanto, acabou entrando na sala de dona Vânia e fechou a porta atrás de si. Eu então estava sozinho. Havia um quadro de Jorge Amado na parede, ele de bigode e camisa florida sorrindo para mim. Eu tentava imaginar o que o fazia tão feliz.&lt;br /&gt;A recepcionista voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Dona Vânia Cristina vai te atender, ficou curiosa sobre esse jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu havia conseguido.&lt;br /&gt;Caminhei até a porta decidido, da mesma forma, imagino eu, que Hemingway caminharia também. Girei a maçaneta e entrei na sala. Vi outros quadros na parede, Jorge sempre lá, um tapete vermelho no chão, um conjunto de cadeiras no centro, e, do outro lado, colada à janela, uma imensa mesa de madeira de lei, dessas antigas. Era lá que Vânia Cristina estava, metida num vestido amarelo, um colar de bolinhas azuis ao redor do pescoço. Foi uma surpresa pra mim. Ela não tinha os lábios carnudos, como eu imaginara, nem os seios fartos ou as pernas grossas, tampouco a sensualidade, o jeito carinhoso, a graça que me fez acreditar ter. Vânia Cristina, a mulher que eu pensara ser a minha sorte e a minha salvação, era apenas uma coroaça, com cerca de sessenta e poucos anos, e olhava-me com uma cara de tédio, como se eu fosse o carteiro ou o homem do gás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Opa - eu disse para ela.&lt;br /&gt;              - Boa tarde, em que posso ajudar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ali, naquela sala, de frente para o que a minha imaginação havia me levado, eu repentinamente perdi a voz e os pensamentos se embaralharam – em questão de segundos, estava completamente paralisado. Ela, por sua vez, levou uma das mãos ao queixo e ficou me observando.havia algo entranhado ali. Notei seu rosto seco e afundado, as veias azuladas entre os anéis. Era diferente, mas outra vez o gosto amargo ganhando o céu da boca. Jorge me olhando na parede, feliz, e eu nunca fui muito chegado nele nem nas estórias dos coronéis. Tinha grande valor, claro, mas a minha vida era outra, feita das sombras dos prédios e do sol que marcava o asfalto, a melancolia das cidades e das pessoas, minha vida era um tapa na cara dos sonhos, aquela velha olhando para mim, coçando o seu queixo, de certo achando que eu era algum tipo de imbecil ou de retardado, considerando aquela minha visita muito maçante, nada demais no seu rosto, nada de menos, somente um enorme desconforto, refletindo talvez o desconforto que havia no meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Algum problema, meu filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então descobri que eu não tinha o que falar para ela, embora de alguma forma soubesse que teria de falar algo. Por isso, quem sabe, falei a primeira coisa que me veio à cabeça naquele instante, com uma voz um pouco alta para os padrões da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Você votaria em alguém que usa peruca, Vânia?&lt;br /&gt;              - Não entendi – ela respondeu, levantando uma das sobrancelhas -, é sobre isso a matéria para o jornal?&lt;br /&gt;              - Não existe matéria- eu disse de uma vez - Queria apenas te conhecer e, me disseram que você resolveria o meu problema. Mas você me enganou. Aliás, todos neste prédio me enganaram, todos, a não ser o Barry lá embaixo. Só ele respeitou os meus sentimentos, só ele tem uma alma digna de apreciação.&lt;br /&gt;              - Olha, Rapazinho, hoje não estou com muito tempo para brincadeiras – ela falou, alterando-se.&lt;br /&gt;              - Quem não tem tempo para brincadeiras sou eu, minha senhora. Já estou de saco cheio de brincadeiras, tenha certeza disso. Me diga: o que é que vocês viram no meu currículo que fosse tão ruim? São as minhas crônicas? Me diga, Vânia, eu quero saber. Tenho esse direito. Não pense que, por ser assim tão bajulada, pode ir pisando nos outros, como se não fossemos nada, fazendo o que quiser. Saiba que, embora ainda não tenha conhecimento, eu sou um dos grandes também, eu sou um dos caras! E saiba de outra coisa, minha querida: tudo o que fazemos nessa existência, volta pra nós um dia – tanto faz se for do lado do bem ou do mal. Anote isso. É possível que te seja útil nesse restinho de vida que ainda tem.&lt;br /&gt;              - Você é completamente louco – ela gritou, usando de uma força que não imaginei que viesse a ter – saia de minha sala agora, já, antes que eu chame toda a guarda municipal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então os segundos em que ficamos nos encarando demoraram muito a passar. A porta foi aberta atrás de mim, escutei a voz da recepcionista perguntando se estava tudo bem, dona Vânia. Vânia não respondeu, eu também não. Já tínhamos falado o suficiente. Virei-me e saí, deixando-as para trás, desci as escadas e logo ganhei as ruas, juntando-me às pessoas que caminhavam de um lado para o outro sem parar.  Tudo parecia envolto em neblina e confusão. Eu pedia para sair daquela confusão. Talvez amanhã, pensei, talvez amanhã eu venha a ter alguma resposta, elas que chegam sempre atrasadas. Talvez tudo clareasse com o tempo. Mas, pensando bem, se não clareasse, também não fazia mal: eu ia apenas continuar do mesmo jeito, o que não era de todo ruim - acordando a hora que quisesse, deixando a minha barba crescer sem preocupação, os cabelos ao vento, a intemperança, e me restaria ainda a melhor parte de tudo – os meus blocos de papel na estante e as minhas tardes sem ofício, mirando o imaginário chinês do outro lado da mesa, cortando a bolinha sem piedade ou misericórdia - da mesma forma, imagino eu, que Hemingway cortaria também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4072367243815351326?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4072367243815351326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4072367243815351326&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4072367243815351326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4072367243815351326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/09/intemperancaou-uma-para-wania-cristina.html' title='INTEMPERANÇA(ou Uma para Wania Cristina)'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-2787359964148131318</id><published>2010-09-19T06:24:00.000-07:00</published><updated>2010-09-19T06:32:38.233-07:00</updated><title type='text'>Vida qualquer coisa (Uma bobagem em homenagem à Alice Ruiz)</title><content type='html'>Qualquer coisa que se sinta&lt;br /&gt;Deve ter um remédio que te sirva&lt;br /&gt;O psicólogo vai te dizer&lt;br /&gt;Que não é assim que deve ser&lt;br /&gt;Tantos sentimentos não deixam você viver&lt;br /&gt;Amar, por quê?&lt;br /&gt;Tome fluoxetina&lt;br /&gt;Sofrer não tem fim?&lt;br /&gt;Tome Valium&lt;br /&gt;E também me prescreva Ritalina &lt;br /&gt;E muitas sessões de terapia&lt;br /&gt;Um emprego melhor paga um especialista&lt;br /&gt;Mais grifado&lt;br /&gt;E assim, dopado&lt;br /&gt;Ele irá te dizer como sua vida deve ser&lt;br /&gt;Já que você não sabe mais como viver&lt;br /&gt;Sendo você com você&lt;br /&gt;E os outros vão te apoiar&lt;br /&gt;A se unir ao exército de zumbis &lt;br /&gt;Terapeutizados&lt;br /&gt;Uma vida uniforme&lt;br /&gt;Para pessoas que não se amam&lt;br /&gt;Não se odeiam&lt;br /&gt;Nem se importam&lt;br /&gt;Não choram&lt;br /&gt;Nem protestam&lt;br /&gt;Não se indignam mais&lt;br /&gt;Elas apenas desejam a nova fórmula&lt;br /&gt;Que as faça não sentir&lt;br /&gt;Apenas o nada&lt;br /&gt;Nada&lt;br /&gt;Nada&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span lang="EN" style="mso-ansi-language: EN;"&gt;"The horror! The horror!"&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-2787359964148131318?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/2787359964148131318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=2787359964148131318&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/2787359964148131318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/2787359964148131318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/09/vida-qualquer-coisa-uma-bobagem-em.html' title='Vida qualquer coisa (Uma bobagem em homenagem à Alice Ruiz)'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4481976209861922563</id><published>2010-07-18T14:56:00.000-07:00</published><updated>2010-07-18T14:57:09.922-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Miojo me ligou a meia hora dizendo que um amigo seu estava vindo para o bar.&lt;br /&gt;          - Ele e a mulher e a cunhada. Ensinei o caminho, daqui a pouco chegam aí.&lt;br /&gt;         - Vem de carro? – não sei porque perguntei isso.&lt;br /&gt;         - Acho que sim.&lt;br /&gt;Às vezes não entendia Miojo. De fdp fofoqueiro num dia a divulgador filantrópico no outro. Ele e mais uns tantos. Mesmo a natureza humana sendo de difícil compreensão, ficava sempre achando que no quebra-cabeças de uma parte dessa turma faltava sempre uma peça ou outra pra encaixar.&lt;br /&gt;Eram nove da noite e eu me sentia cansado. No céu, por entre duas nuvens, a lua apareceu amarela como a luz de um candeeiro. Era bonita, mas, por algum motivo, nunca me sensibilizava. Pensei que talvez não estivesse na sintonia certa. Ou, quem sabe, não fosse tão evoluído quanto a maioria. Bem possível que sim.&lt;br /&gt;Depois que Miojo desligou, fui lá dentro, peguei três mesas, doze cadeiras e armei tudo na varanda. As mesas tinham manchas de cerveja e algumas cadeiras também, marcas de cigarros apagados, arranhões. Um tanto da culpa era minha, por simples desleixo, outro tanto pelo sadismo de uma parte da clientela. Se estou pagando, eles pensam, faço o que der na telha... Sempre existiu uma espécie de banda podre em todo lugar, mas a verdade é que eu andava de saco cheio de certas coisas, sobretudo dos bêbados exagerados e vulgares que viviam a fazer besteiras, achando que com isso se afirmavam como malandros, e, no dia seguinte, além de não lembrarem de nada, ainda por cima diziam que eu imaginava ou inventava coisas. O pior é que eles, geralmente, possuíam um poder tão grande de convencimento que, no fim das contas, quem acabava como o único culpado por toda a m... que faziam era eu. De qualquer forma, ainda resistia: forrei as mesas, limpei as cadeiras, fui até a cozinha e passei algumas cervejas da geladeira para o freezer, em seguida coloquei um cd do Otto pra tocar. Otto sempre agradava a mulherada. Depois disso sentei-me num dos bancos da varanda, acendi um cigarro e observei os carros subindo a ladeira.&lt;br /&gt;Algum tempo depois o telefone tocou novamente. Era Altamiro querendo saber se o bar estava com movimento.&lt;br /&gt;           - Ninguém – respondi.&lt;br /&gt;           - Ninguém?&lt;br /&gt;           - É.&lt;br /&gt;           - ... Talvez dê uma passadinha por aí mais tarde.&lt;br /&gt;E desligou.&lt;br /&gt;Altamiro era outro que quase sempre deixava uma peça pra encaixar. Não pelo fato de que, provavelmente, não apareceria, mas porque vivia nessas de que era muito meu amigo sem, no entanto, ter intimidade o suficiente para isso. “Dia desses te dou uma vodka importada que ganhei, custa uns R$ 100,00”. E a pior coisa que poderia acontecer seria ele trazer essa tal vodka, justamente por eu não ter nenhuma. Talvez tivesse que aceitar.&lt;br /&gt;A lua já estava afastando-se das nuvens e ganhando espaço quando escutei o barulho de um carro estacionar. Meia hora havia se passado e eu não dera conta. Talvez fosse o amigo de Miojo, com a mulher e a cunhada. Fui correndo até a cozinha, troquei o disco que já estava para acabar e me debrucei sobre o balcão como se a vida estivesse fácil e tudo sob controle. Vi surgir, então, subindo as escadas, a figura de Altamiro, com sua eterna pochete presa à cintura.&lt;br /&gt;           - Não pude deixar de conferir esta lua da sua varanda – ele disse.&lt;br /&gt;           - Está linda – respondi.&lt;br /&gt;           - Adoro ela assim, poética. Olha, separei sua vodka pra trazer, mas esqueci em cima da cômoda. Amanhã eu trago.&lt;br /&gt;           - Ok. Vai querer uma cerveja?&lt;br /&gt;           - Não. Na verdade, tenho que organizar umas coisas. Apareci somente te ver.&lt;br /&gt;Então se aproximou e me abraçou. Fiquei sem jeito, claro, mas o que é que podia fazer? Depois disso me encararia e possivelmente diria que o meu semblante estava abatido ou qualquer coisa assim, e que, se estivesse com algum problema, poderia me abrir com ele. Eu não tinha nada para falar. Era estranha a situação, mas ele não perdia a pose. Talvez fosse um sujeito mais evoluído que eu. Da lua, pelo menos, ele gostava bem mais.&lt;br /&gt;Depois de uns dez minutos de conversa, foi embora. E eu fiquei com aquela sensação de que faltou uma peça para completar.&lt;br /&gt;Acendi um cigarro e fiquei sozinho a escutar a música tocar. Muitas vezes eu preferia assim.&lt;br /&gt;Quando fui trocar o cd, olhei para o relógio na parede e descobri que já eram onze e dezessete. A noite é como a vida, pensei, passa num piscar e, quase sempre, muito pouco do que queríamos chegou a acontecer.&lt;br /&gt;Recolhi as mesas, as cadeiras, tirei o disco que estava tocando e fechei o balcão. Eu era um comerciante atípico, mas isso não me incomodava. Quando estava descendo a ladeira, vi um casal acompanhado de uma outra mulher vindo na direção do bar. Talvez fosse o tal amigo de Miojo. Eu precisava de uns trocados. O que faria? Quando passaram por mim, quase sem sentir virei o rosto e olhei para o outro lado, procurando talvez algum acontecimento perdido na noite de Ilhéus. Não havia nada, exceto as vozes dos três e a lua, em parte escondida por uma nuvem com formato de uma luva de boxe. Diminuí o passo e fiquei a olhá-la, como se a admirasse, tentando parecer que era um pouco como todo mundo é.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;R.M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4481976209861922563?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4481976209861922563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4481976209861922563&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4481976209861922563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4481976209861922563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/07/miojo-me-ligou-meia-hora-dizendo-que-um.html' title=''/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-1994850137566208114</id><published>2010-05-21T08:58:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T08:59:14.224-07:00</updated><title type='text'>LEAVE ME ALONE (Ou : O desejo de viver em meu mundo)</title><content type='html'>Punhal e cutelo&lt;br /&gt;Substantivos de algo concreto&lt;br /&gt;instrumentos que realizam crimes passionais&lt;br /&gt;e também terminam vidas tragicamente&lt;br /&gt;dramáticas e demais vividas&lt;br /&gt;eu vejo a palavra&lt;br /&gt;que é a forma de ser realidade&lt;br /&gt;um mundo todo meu significado&lt;br /&gt;e lá, tudo é muito puro&lt;br /&gt;bruto&lt;br /&gt;tudo é muito vivo&lt;br /&gt;sanguíneo&lt;br /&gt;tudo é muito colorido&lt;br /&gt;amanhecer e entardecer&lt;br /&gt;todo o mundo&lt;br /&gt;meu&lt;br /&gt;um tanto egoísta &lt;br /&gt;&lt;em&gt;i´m so selfish, baby&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;então venha e deite aqui comigo&lt;br /&gt;vamos contar as estrelas que não existem nesse teto&lt;br /&gt;pegue na minha mão e salte para dentro &lt;br /&gt;do universo que existe entre as minhas retinas&lt;br /&gt;e o meu credo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-1994850137566208114?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/1994850137566208114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=1994850137566208114&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1994850137566208114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1994850137566208114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/05/leave-me-alone-ou-o-desejo-de-viver-em.html' title='LEAVE ME ALONE (Ou : O desejo de viver em meu mundo)'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-2222008965515582610</id><published>2010-05-07T12:38:00.000-07:00</published><updated>2010-05-12T12:10:19.933-07:00</updated><title type='text'>12 hrs. ininterruptas</title><content type='html'>Se alguém na rua me perguntar&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Você está feliz?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu certamente direi que sim&lt;br /&gt;mesmo quando nesse exato momento&lt;br /&gt;existe uma vontade de chorar matada&lt;br /&gt;no meio do meu peito&lt;br /&gt;e também é como se dois suspiros adiante&lt;br /&gt;um muro fosse erguido&lt;br /&gt;com pedras tão maciças e antigas&lt;br /&gt;de algo que eu me lembro de quando não vivi&lt;br /&gt;algumas flores no cabelo&lt;br /&gt;e um vestido muito diáfano&lt;br /&gt;que me deixasse &lt;br /&gt;corpo cá&lt;br /&gt;e alma do outro lado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-2222008965515582610?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/2222008965515582610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=2222008965515582610&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/2222008965515582610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/2222008965515582610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/05/12-hrs-ininterruptas.html' title='12 hrs. ininterruptas'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-8497804759936183957</id><published>2010-04-06T05:16:00.000-07:00</published><updated>2010-04-06T05:18:05.922-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ando meio cansado de gente, sobretudo dessa gente chata que se acha grandes merdas, empina a porra do nariz e não assume o que diz, ou o que faz, e que acha que a melhor forma de levar a vida é fingir que está numas de evolução, de consciência e toda essa conversa teatral de que o certo é ser legal e democrático - embora, quando convém, essa mesma gente seja bastante rancorosa, amarga e maledicente também. Ando cansado do senso comum, das deduções que viram verdade, mesmo nascidas de mentes cujo raciocínio lógico seja nenhum, cansado desse discurso Che Guevarista sobre valorização dos direitos humanos, a luta pelos altíssimos ideais, discurso esse que é datado e de fachada e que só serve para mostrar que a pessoa não entende nada de direitos humanos, tampouco de Che Guevara, e que simplesmente não dá a mínima para o que pode acontecer com as classes mais baixas: um suspiro, no máximo, quando o morro deslizar; ando cansado da falta de esforço e das desculpas que dão para não se esforçar, cansado de piadinhas, de gente que se acha o máximo sem ser, o tal engodo artístico – “eu digo que você é bom, você diz que eu sou bom também; mais tarde a gente toma umas brejas, cria umas gírias e consegue umas subvenções”. Cansado de oportunistas, xepeiros, aproveitadores, de gente que usa discurso pronto pra se dizer bem resolvida, de gente que não pára de dar opiniões sobre a sua vida, mesmo sem você pedir (ou saber). Cansado de quem não ama, mas se aproveita do amor alheio para sobreviver...&lt;br /&gt;        Cansado e de saco cheio.&lt;br /&gt;        Hoje não tem frase bonita.&lt;br /&gt;        Moral da lição&lt;br /&gt;        ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                       R.M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-8497804759936183957?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/8497804759936183957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=8497804759936183957&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8497804759936183957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8497804759936183957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/04/ando-meio-cansado-de-gente-sobretudo.html' title=''/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-1802561175702604457</id><published>2010-03-26T09:51:00.001-07:00</published><updated>2010-03-26T09:51:24.732-07:00</updated><title type='text'>Veja,</title><content type='html'>eu só tenho essa vontade de chorar. Eu não sou mais criança e durmo de luz acesa. Eu sou adulta e gostaria que você me colocasse no colo. Eu sou mulher e gosto de comer pipoca no parque. Eu sou criança e tenho tantas responsabilidades, e elas não param de crescer.&lt;br /&gt;Em determinados momentos do ano é possível colocar sua mão em meu peito e atravessá-lo. É porque eu viro como um espectro e sombra, um sonho de mim mesma, uma reinvenção. Daí eu pego em sua mão e você pode atravessar a carne e o músculo e procurar o pequeno beija-flor asmático. Ele tanto bate, tum-tum-tum, quanto tosse pigarrento, cof-cof-cof, culpa dos cigarros que nunca fumou. &lt;br /&gt;Você se assusta, larga o pequeno pássaro um tanto quanto sem jeito, e ele fica sem graça em sua falta de perfeição e beleza. Logo ele, que devia ter tanta graça, agora nem sabe direito se é pássaro, se é vida, se é amor, se é vazio, se é o que é que se é.&lt;br /&gt;Faz assim, dê a volta, como se o mundo fosse essa avenida até o seu fim, e de lá grite meu nome para que então eu tente ouvir: Entre todas as pessoas, que falam e esquecem, entre todos os carros que não têm para onde ir, entre todo esse caos que é o mundo às 9 da manhã, eu ainda desejo te ouvir.&lt;br /&gt;E me diz, por favor, você que já andou o mundo e chegou até o fim, se é verdade que existem monstros horríveis aí, ou se eles estão todos atrás de mim, no meu quarto, no meu armário e embaixo da cama. &lt;br /&gt;Diga logo, me ajude, eu não consigo te ouvir, o pássaro se assusta e pode me levar embora, eu tento pegá-lo e não consigo. &lt;br /&gt;Hoje eu sou de carne e músculo.&lt;br /&gt;Tum! É só um carro que atropelou a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-1802561175702604457?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/1802561175702604457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=1802561175702604457&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1802561175702604457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1802561175702604457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/03/veja.html' title='Veja,'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-1314461538212021696</id><published>2010-03-09T05:56:00.001-08:00</published><updated>2010-03-09T05:56:38.060-08:00</updated><title type='text'>ESCONDERIJOS DE VIVER</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi um modo de aprender a viver. Alice gostava de se esconder. Pregava peças nos pais quando se ocultava nos lugares mais inesperados da casa. Com os amiguinhos brincava de esconde-esconde e era a campeã entre todos. Um dia, a brincadeira tanto se estendeu que a mãe de Alice chamou o guarda da rua para achá-la. Após 4 horas, com a mãe quase arrancando os cabelos, Alice fora encontrada escondida dentro de um diminuto espaço entre o chão e a pia da churrasqueira do vizinho. E tão acostumada a se esconder, Alice chegou a dormir em posição de contorcionista e, quando acordada pelo desespero de todos, sorriu e achou tudo muito engraçado. Ela não sentiu medo de se perder.&lt;br /&gt;Foi então que ela descobriu que ao se esconder ela também poderia se perder. E que isso poderia ser tão bom porque depois ela poderia ser encontrada. É assim que se aprendem as coisas verdadeiras: Sem pensar, sem livros, cadernos, professoras, sermões de igreja e de pai. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alice era toda pequena, de forma que se esconder e se perder era muito fácil. A mãe por muitas vezes perdeu Alice no supermercado e, quando a encontrava, ralhava com a pequena. Isto porque a mãe acreditava que Alice havia se escondido, quando, na realidade, a mãe apenas a tinha perdido de vista entre tantas gôndolas e pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi aí que Alice já não soube mais distinguir o que era “se esconder” e “se perder”. E quando adolescente ainda tão pequena e frágil - a menor de todas as garotas da escola - Alice sabia fugir das maldades e do tédio escondida e perdida em seus pensamentos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E também Alice descobriu a mágica de ficar sozinha entre tantas pessoas, porque ela aprendeu a se esconder dentro. Ela percebeu lugares secretos de sua alma que quando tocados deixavam-na tão bem escondida que chegava a ficar invisível. Ela até testou nesses momentos sua invisibilidade encarando desconhecidos na rua que jamais lhe devolveram o olhar. Ela estava escondida e perdida dos demais, ninguém poderia vê-la, e ela estava em sua própria paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando os pais de Alice se separaram ela tinha 17 anos e ficou invisível por quase 1 ano. A mãe e o pai separados olhavam através de Alice, sempre, e ela poderia até fazer careta ou chorar de tristeza que eles jamais perceberiam. Foi durante o colegial, e Alice conseguia ser invisível durante as aulas e as provas. Nessa época, Alice freqüentava as salas de cinemas de filmes estranhos, bibliotecas e sebos. Nesses lugares ela era tão invisível que a sua invisibilidade se comunicava com outras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o passar do tempo, Alice então notou que outras tantas pessoas também eram invisíveis. Isso a assustou no começo, afinal, nunca ninguém notara seu dom, e deixar de ser isso tão secreto parecia trazer à tona alguma fragilidade de viver. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas agora Alice já é adulta, e terá de encarar o fato de que é tão invisível quanto os que a cercam. Alice está maior e já não pode se esconder entre o chão e a pia. Alguma lição está por vir, e Alice me confidenciou que está confiante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-1314461538212021696?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/1314461538212021696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=1314461538212021696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1314461538212021696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1314461538212021696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/03/esconderijos-de-viver.html' title='ESCONDERIJOS DE VIVER'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4023070733576388181</id><published>2010-02-15T08:34:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T08:36:59.034-08:00</updated><title type='text'>Cidade Fantasma</title><content type='html'>Toni, Toni, Toni...&lt;br /&gt;Óh, meu Deus!&lt;br /&gt;Óh, meu Deus!&lt;br /&gt;Toni...&lt;br /&gt;Suor. Suor.&lt;br /&gt;Toni debate-se na cama encharcada de suor. Virá-se, encolhe.&lt;br /&gt;Moulin Rouge destruida, ele pensa, sonha. Está sonhando?&lt;br /&gt;Putas.&lt;br /&gt;A cidade destruída, em escombros. Toni, Toni. Alguns centímetros de pernas femininas, logo acima dos joelhos. Louise Joséphine Weber dançando para ele. "La Goulue" , A Gulosa. Veludo. Vermelho encarnado.&lt;br /&gt;Toni, Toni... O corpo em suor, desmanchando-se. Mulheres vasculhando a cidade, entre os escombros. Toni..., elas gritam, chamam. Querendo destruí-lo, aprisioná-lo. Só restaram elas, mais fortes que as baratas. Nenhum homem. Querem destruí-lo. Sede. Amarrar-lhe as mãos, pendurá-lo e açoitá-lo. Toni, Toni. Elas reviram a cidade destruídas, pernas a mostra, como as dançarinas ousadas em seus movimentos de cancã. A cidade destruída. Mais fortes que as baratas. Ele acorda gritando, o corpo encharcado, o coração sobresaltado como que esmagado por cavalos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4023070733576388181?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4023070733576388181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4023070733576388181&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4023070733576388181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4023070733576388181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/02/cidade-fantasma.html' title='Cidade Fantasma'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7082919379048972970</id><published>2010-01-26T04:57:00.000-08:00</published><updated>2010-01-26T04:57:20.429-08:00</updated><title type='text'>O TAMANHO DO AMOR</title><content type='html'>O amor não tem tamanho, simplesmente por ser a dimensão&lt;br /&gt;que tudo abriga no mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é igualdade, ele nada exclui&lt;br /&gt;ele não pode ser melhor ou pior&lt;br /&gt;pois é incapaz de julgar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabe o amor o que é&lt;br /&gt;começo, meio, ou fim&lt;br /&gt;ele já é antes&lt;br /&gt;como a primeira nota do Universo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é amor&lt;br /&gt;Não é amor para ser&lt;br /&gt;é tudo contido &lt;br /&gt;no amor&lt;br /&gt;O amor é a forma&lt;br /&gt;o conteúdo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o amor não é chama&lt;br /&gt;que se apaga com o primeiro vento&lt;br /&gt;mais forte&lt;br /&gt;O amor é o forte&lt;br /&gt;e se somente chama&lt;br /&gt;certamente há de ser outra coisa&lt;br /&gt;entre as almas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o amor vive&lt;br /&gt;sempre&lt;br /&gt;naquele que sabe como o é&lt;br /&gt;O amor esclarece&lt;br /&gt;O amor acontece&lt;br /&gt;O amor amanhece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É coisa de quem se vive&lt;br /&gt;Vivo&lt;br /&gt;De quem se entrega &lt;br /&gt;De quem não nega&lt;br /&gt;De quem não se apega&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o amor não há de ter tamanho para ser tudo o que é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7082919379048972970?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7082919379048972970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7082919379048972970&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7082919379048972970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7082919379048972970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2010/01/o-tamanho-do-amor.html' title='O TAMANHO DO AMOR'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-3975317507786985912</id><published>2009-12-21T05:07:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T05:18:58.873-08:00</updated><title type='text'>no sitio da familia</title><content type='html'>as noites eram sempre muito escuras, lembro somente do cheiro do querosene e da porra dum grilo que não me deixava adormecer. eu pensando no dia, nas pessoas que vira, numa frase ou outra que disse ou escutei, mas o sono só vinha mesmo quando começava a imaginar sacanagens, eu comendo alguém que, na prática, seria quase impossível de se comer - a mulher de um tio, uma prima mais velha, bem mais velha, umas dessas que já sabiam de cor e salteado o ofício de foder. então os olhos iam fechando, os pensamentos se embaralhando e tudo virava amanhã.&lt;br /&gt;nessa época eu falava menos, mas acreditava mais. a existência prometia ser algo sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;r.m.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-3975317507786985912?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/3975317507786985912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=3975317507786985912&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3975317507786985912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3975317507786985912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/12/no-sitio-da-familia.html' title='no sitio da familia'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-3729038399263746434</id><published>2009-11-29T04:12:00.001-08:00</published><updated>2009-11-29T04:12:40.583-08:00</updated><title type='text'>APOTEOSE APOCALÍPTICA</title><content type='html'>Eu adentro os escombros e gosto de vasculhar por ali quando há ainda o calor vago de uma vida de outrora. Eu gosto quando a poesia se faz fora de rimas e versos contados; quero-as escondidas de maneira vaga, como em marcas de batom de copos desconhecidos e nos livros de segunda mão dedicados sem reconhecimento do outro. Talvez eu não espere por surpresas ou testemunhe a beleza vulgar e desejada; eu quero a força de limpar a sua sujeira, seus rastros e vestígios, como a cúmplice serviçal; e na dor da carne, no alívio do refúgio, eu encontre respostas sem perguntas, paz de justos e infelizes; toda aquela vida lá, aquela que ninguém quer sonhar. &lt;br /&gt;Eu &lt;br /&gt;sou&lt;br /&gt;somente&lt;br /&gt;viver&lt;br /&gt;sabendo que tudo&lt;br /&gt;é contagem de fim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-3729038399263746434?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/3729038399263746434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=3729038399263746434&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3729038399263746434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3729038399263746434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/11/apoteose-apocaliptica.html' title='APOTEOSE APOCALÍPTICA'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4975534119333430746</id><published>2009-11-09T16:41:00.000-08:00</published><updated>2009-11-09T16:41:17.091-08:00</updated><title type='text'>Saudade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu deixo a porta da cozinha aberta. É pra você entrar. Puxo a cadeira e sei que você também perdeu. A cozinha tem essa luz embaciada e algumas sombras engraçadas. Ouço o som da luz fluorescente, do motor da geladeira e alguém cantarolando no apartamento ao lado. O cigarro queima e todo o apartamento parece me expulsar para antes de tudo. Eu fico acuada enquanto te aguardo. A porta semi-aberta. Outro cigarro e nem gosto tanto de fumar. Talvez eu coloque água no fogo e te sirva um café. Posso deixar uma música tocando na sala. Alguma coisa que nos traga de volta. Eu ainda não entendo que há outra vida além daquela. Não fui à manicure e me arrependo. Gosto quando é vermelho. Veja bem, queria ter essa conversa melhor. Mas tenho de ser honesta: Não consigo. Apenas os signos e as palavaras mais que dispersas: Assim como o vento, o afogado, o perdido, o sentenciado. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;então eu digo sobre o buraco,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sobre pessoas estranhas que não entendem&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;juventude equivocada&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pouco tempo para apenas um&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tanta história e um só momento&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu ainda sinto a sua falta&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4975534119333430746?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4975534119333430746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4975534119333430746&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4975534119333430746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4975534119333430746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/11/saudade.html' title='Saudade'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-3930482702442922361</id><published>2009-09-24T11:25:00.001-07:00</published><updated>2009-09-24T11:28:19.622-07:00</updated><title type='text'>ESTANQUE</title><content type='html'>Veja bem, eu quero culpar o mundo por essa dor, que nem 400 mgs de carbamazepina conseguem contornar. Eu quero dizer que é esse tempo estranho, sem sol e sem ar, que gela meus ossos, apesar do casaco quente, bonito e caro que uso. Sim, eu quero te arrastar junto para o meu buraco, só porque você meu ouve tão compenetrado nessas horas. Então eu disse "mamãe, somente essa vez, me ame!". Ela virou as costas e atendeu o telefone, e eu enfiei um garfo na perna e só consegui dormir quando o sangue estancou. "Você me acha louca?" Nunca ousei perguntar, eu fico com isso entalado na garganta, e grito baixo, xingo alto, ando rápido, tomo café e sorrio de uma forma debochada para as pessoas na rua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas novidades tão modernas só me fazem descrer ainda mais na raça humana e na sua salvação, daí eu entro na igreja bonita da praça da Liberdade - parece uma gruta perdida - e lá olho aquele Cristo sofrendo e só posso dizer "Hey cara, isso vale tanto a pena assim?" E, claro, ele não responde, nem responderá, apenas sangra. Eu fico com raiva e coloco o ipod no talo, até não ouvir sequer mais um som do mundo, e fico imersa naquela dor que é revolta, medo, indignação e, sobretudo, um amor tão grande que não tem colo para chorar e se aninhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí eu, sei lá, nem sei como escrever essas coisas que somente a alma vive. Eu sei que sinto saudades de algumas pessoas, mas elas já morreram. Fazem parte das cinzas que depositei no mausoléu das lembranças desnecessárias. E eu até gosto disso. Estou livre demais. Só espero saber o quê fazer dela agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma sabedoria devo ter adquirido na caminhada até aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho ao meu redor, praça da Sé, 18:30. Os sinos tocaram e um dia já é findo. Eu quero sentar nessa escada e perguntar para o cego pinguço se tudo ficará bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-3930482702442922361?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/3930482702442922361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=3930482702442922361&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3930482702442922361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3930482702442922361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/09/estanque.html' title='ESTANQUE'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4597522126250712901</id><published>2009-09-14T05:10:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T05:13:18.632-07:00</updated><title type='text'>CASA NO CAMPO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sq4zVFuwkWI/AAAAAAAAAQ8/b3zh7ooV1cw/s1600-h/campo"&gt;&lt;img style="display:block; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt; 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 &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman","serif"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	font-size:10.0pt; 	mso-ansi-font-size:10.0pt; 	mso-bidi-font-size:10.0pt;} @page Section1 	{size:21.0cm 842.0pt; 	margin:11.9pt 66.35pt 24.1pt 92.15pt; 	mso-header-margin:11.9pt; 	mso-footer-margin:24.1pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; 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Então eu acordava de madrugada como se fosse dia claro, saía e respirava o ar que descia gelado e novo das montanhas. Acompanhava o sol e de certa forma participava da criação do mundo. Era o que então eu pensava, sorrindo discretamente, enquanto olhava o verde, o azul, e uma penumbra dourada que transbordava pela janela da cozinha e fazia o bolo de mandioca ficar bronzeado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O cheiro do café tomava a manhã e desaparecia lentamente. As abelhas, as flores, tudo pareceria só meu, criado por mim e por alguma outra coisa também mágica do universo. Caso eu ainda estivesse sonhando, parecia muito real. E quem poderia me dizer o contrário, se eu estava sentindo e vendo toda aquela vida muito honesta e calma por todos os meus poros e vivia a paz?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E ouvia alguns bichos que pareciam ensaiados, mas também tinha algo de improvisação, quando o besouro pousou no livro, e me assustei, e todos riram. Eu também. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Era alegre, morno, com cheiro de mel e café, cerveja gelada, um pulo na piscina, leve arrepio, cheiro de grama cortada, sorrisos de interior, música e nostalgia, talvez alguma confissão sobre o invisível.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Daí eu sei que gosto de ficar só e quando perto dos amigos mais queridos percebo algum privilégio em manter-me fiel à verdade da vida, que mesmo dura, nos brinda com momentos tão completos que vale então tudo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O resto é só a vida mesmo, vai compreender... .&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-2971085553202698818?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/2971085553202698818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=2971085553202698818&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/2971085553202698818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/2971085553202698818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/09/devaneios-para-um-feriado.html' title='DEVANEIOS PARA UM FERIADO'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-8375126116573011695</id><published>2009-08-16T05:34:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T05:35:51.217-07:00</updated><title type='text'>Looser</title><content type='html'>Eu perdi o prumo&lt;br /&gt;a linha&lt;br /&gt;o dom com as palavras&lt;br /&gt;mais bonitas&lt;br /&gt;as deixei nas sarjetas&lt;br /&gt;outra vez,&lt;br /&gt;toda a esperança sorrateira&lt;br /&gt;os sonhos inebriantes&lt;br /&gt;decaíram como heróis que nunca existiram&lt;br /&gt;e a lucidez catastrófica&lt;br /&gt;reapareceu&lt;br /&gt;por detrás desse verniz falso&lt;br /&gt;“o teu nome é caretice”&lt;br /&gt;e às vezes é fluoxetina&lt;br /&gt;e tantas outras drogas&lt;br /&gt;pra gente morrer e continuar vivendo&lt;br /&gt;e agora que eu morri, desejo viver&lt;br /&gt;e morrer, morrendo&lt;br /&gt;&lt;em&gt;i´m so confused, baby&lt;br /&gt;whispering&lt;br /&gt;take care...&lt;br /&gt;please&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;é o preço da escolha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-8375126116573011695?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/8375126116573011695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=8375126116573011695&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8375126116573011695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8375126116573011695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/08/looser.html' title='Looser'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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href='http://mothel.blogspot.com/feeds/1382505696099458783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=1382505696099458783&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1382505696099458783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1382505696099458783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/08/no-me-gusto-mainstream.html' title='NO ME GUSTO MAINSTREAM'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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queimam minhas idéias&lt;br /&gt;que pulsam meu sangue&lt;br /&gt;e derramo lágrimas carmim&lt;br /&gt;sejam elas de alegria ou dor&lt;br /&gt;como um gozo dissolvido&lt;br /&gt;em suspiros em seus ouvidos&lt;br /&gt;sinto tudo de uma vez, só&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o resumo da ópera da minha vida&lt;br /&gt;é que eu nasci pra viver&lt;br /&gt;e vivo pra morrer&lt;br /&gt;todos os segundos do dia&lt;br /&gt;&lt;em&gt;So, fuck off!&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-1369844026657130593?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/1369844026657130593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=1369844026657130593&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1369844026657130593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1369844026657130593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/08/fuck-off.html' title='FUCK OFF!'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-5195523741392089158</id><published>2009-07-31T18:06:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T18:07:11.976-07:00</updated><title type='text'>OLHOS ESFUMAÇADOS DE NEGRO</title><content type='html'>Ainda não é tarde&lt;br /&gt;e já poderia reconhecer&lt;br /&gt;nas sombras&lt;br /&gt;os rostos que eu deveria lembrar&lt;br /&gt;e estranhamente não os recordo&lt;br /&gt;pois não posso dizer&lt;br /&gt;por onde andei&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Maybe&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I have a secret&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-5195523741392089158?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/5195523741392089158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=5195523741392089158&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5195523741392089158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5195523741392089158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/07/olhos-esfumacados-de-negro.html' title='OLHOS ESFUMAÇADOS DE NEGRO'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7879602011157744239</id><published>2009-07-29T08:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T08:26:11.350-07:00</updated><title type='text'>QUANDO NÃO PAROU MAIS DE CHOVER</title><content type='html'>Chove pedra&lt;br /&gt;O céu deseja a morte&lt;br /&gt;em trovoadas extensas&lt;br /&gt;clarões que apenas fazem&lt;br /&gt;a noite mais negra&lt;br /&gt;e meu pesadelo&lt;br /&gt;é você que me persegue&lt;br /&gt; só,  me resta a aflição&lt;br /&gt;enquanto fico trancada&lt;br /&gt;na pequena sala&lt;br /&gt;grilhões pesados na imensa porta&lt;br /&gt;eu me escondo de você&lt;br /&gt;claustrofóbica&lt;br /&gt;e a solidão entope minha boca&lt;br /&gt;de um bolo azedo&lt;br /&gt;&lt;em&gt;you´re  so sour, baby&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas eu acredito estar salva&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7879602011157744239?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7879602011157744239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7879602011157744239&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7879602011157744239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7879602011157744239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/07/quando-nao-parou-mais-de-chover.html' title='QUANDO NÃO PAROU MAIS DE CHOVER'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-99907528996295004</id><published>2009-07-12T12:58:00.000-07:00</published><updated>2009-07-12T12:59:09.814-07:00</updated><title type='text'>OUTRA PRA VOCÊ (Ou só porque eu não te conheço)</title><content type='html'>Todos os comuns&lt;br /&gt;They do&lt;br /&gt;Juntos&lt;br /&gt;Festas&lt;br /&gt;Supermercados&lt;br /&gt;Sorvetes no quiosque do shopping&lt;br /&gt;Filhos mal educados&lt;br /&gt;Vícios insuficientes&lt;br /&gt;Cafeína, cocaína, codeína&lt;br /&gt;Não exatamente nessa ordem&lt;br /&gt;Existe a sua falta&lt;br /&gt;A ausência&lt;br /&gt;A solidão por entre a gente&lt;br /&gt;Do poeta de muito tempo atrás&lt;br /&gt;Eu me acho tão diferente&lt;br /&gt;But I do too&lt;br /&gt;Versos de rimas primárias&lt;br /&gt;Precárias&lt;br /&gt;Tão comum&lt;br /&gt;Mente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-99907528996295004?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/99907528996295004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=99907528996295004&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/99907528996295004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/99907528996295004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/07/outra-pra-voce-ou-so-porque-eu-nao-te.html' title='OUTRA PRA VOCÊ (Ou só porque eu não te conheço)'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7666066141185829142</id><published>2009-07-02T10:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T10:30:44.929-07:00</updated><title type='text'>LA REVANCHA DEL TANGO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SkzufcKQMsI/AAAAAAAAAFU/Lt73gbNknPc/s1600-h/MB-00101-capaGG.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353916280939229890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SkzufcKQMsI/AAAAAAAAAFU/Lt73gbNknPc/s320/MB-00101-capaGG.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SkzuTyHTt6I/AAAAAAAAAFM/4G6iOzC1N64/s1600-h/maiko.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353916080674027426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SkzuTyHTt6I/AAAAAAAAAFM/4G6iOzC1N64/s320/maiko.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SkztrBSP08I/AAAAAAAAAFE/JW90Xd0oDjM/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353915380371805122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 216px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SkztrBSP08I/AAAAAAAAAFE/JW90Xd0oDjM/s320/sem%2Bt%25C3%25ADtulo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Primeiro dia. Sem música, apenas um quase silêncio. Melancolia. A Cidade Fantasma é uma merda. Assim continuará. O maior símbolo da Cidade Fantasma é um avião numa praça morta.O apartamento é minúsculo e sobre o sofá está um maço de cigarros e o livro Crazy cook, de Henry Miller. O galo louco, o pau louco, o cacete louco de Miller. Um tempestuoso triângulo amoroso que leva o escritor ao desespero.Concluí que não gostaria de estar na pele de Henry Miller. Passo a vida evitando mulheres loucas, mas nem sempre consigo.Lembro de um tango de Astor Piazzolla, de mulheres usando leves vestidos que deixam escapar longas e lindas pernas quando dançam. Lembro das mulheres que não conheci. Abro a geladeira para pegar uma bebida. Encontro apenas uma garrafa de Coca Light. Como Juliana consegue beber isto? Tento beber um gole, desisto, pego o maço de cigarro sobre o sofá e espio a cidade lá fora enquanto a suave brisa da noite lambe meu rosto. Fumo um cigarro enquanto penso nas coisas e tenho vontade de usar um chapéu panamá".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://mojobooks.virgula.uol.com.br/mojo_inteira.php?idm=276"&gt;http://mojobooks.virgula.uol.com.br/mojo_inteira.php?idm=276&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7666066141185829142?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7666066141185829142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7666066141185829142&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7666066141185829142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7666066141185829142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/07/la-revancha-del-tango.html' title='LA REVANCHA DEL TANGO'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SkzufcKQMsI/AAAAAAAAAFU/Lt73gbNknPc/s72-c/MB-00101-capaGG.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-8045989107042670718</id><published>2009-07-01T16:49:00.000-07:00</published><updated>2009-07-01T16:50:04.964-07:00</updated><title type='text'>CAFEINA + COMPRIMIDOS</title><content type='html'>para quem não deseja&lt;br /&gt;dormir&lt;br /&gt;sonho acordada&lt;br /&gt;novamente&lt;br /&gt;pela 1ª vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é quando vejo&lt;br /&gt;do alto do viaduto&lt;br /&gt;os carros passarem&lt;br /&gt;e acredito poder-voar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é uma esperança bem assim&lt;br /&gt;que carrego no peito&lt;br /&gt;do beija-flor&lt;br /&gt;asmático&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-8045989107042670718?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/8045989107042670718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=8045989107042670718&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8045989107042670718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8045989107042670718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/07/cafeina-comprimidos.html' title='CAFEINA + COMPRIMIDOS'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4582951225472519920</id><published>2009-06-24T11:13:00.000-07:00</published><updated>2009-06-24T11:17:31.228-07:00</updated><title type='text'>14:hs | Tarde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Algumas folhas de jornal grudaram-se umas nas outras como asas de borboletas encharcadas. Borboletas bêbadas que tentavam voar e zanzavam trôpegas até encontrarem um poste, e ali ficarem grudadas. Eu observava a cena através da janela de um pequeno apartamento que eu alugava num velho prédio no centro de Porto Alegre. Lá fora despencava uma tormenta infernal. O céu desabava, a água da chuva inundava a cidade formando corredeiras junto às calçadas. As folhas de jornal escaparam das mãos de uma mulher gorda que se movia com a dificuldade de um elefante lodoso. Ela ensaiou uma corrida desengonçada, cuidando para não esborrachar-se no chão. Escorregou um pé, a perna direita, curta e grossa abriu-se como um raio. Os braços moveram-se rapidamente lembrando os de uma marionete, com a ajuda deles a mulher gorda recuperou o equilíbrio e então parou sob a chuva tentando refazer-se do susto enquanto o jornal se desmanchava. O guarda-chuva transparente mal protegia o corpo imenso da mulher. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4582951225472519920?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4582951225472519920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4582951225472519920&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4582951225472519920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4582951225472519920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/06/14hs-tarde.html' title='14:hs | Tarde'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7683029146570188486</id><published>2009-06-02T10:26:00.000-07:00</published><updated>2009-06-02T10:39:07.135-07:00</updated><title type='text'>Quando as coisas simplesmente não têm explicação</title><content type='html'>Eu ando bem feliz, e eu acho que o nome disso é alegria porque tem uma constância na coisa. Explicando: Meus dias estão lineares, sem descidas automáticas até o inferno. Talvez, eu tenha perdido noção do caminho até lá. Vejamos na contagem do tempo passar.&lt;br /&gt;Tenho me perdido  em pensamentos do micro para o macro, como, por exemplo, o jeito único que observo a luminosidade dessa tarde gelada e como essa beleza apenas é um composto químico e físico que formam tanto a matéria do céu quanto a que pertence ao meu corpo.&lt;br /&gt;Tenho uma experiência espiritual-racional e tudo fica tão grandemente simples, que os meus problemas cotidianos e humanos mal cabem na sessão de terapia. Aliás, a última sessão foi uma grande conversa sobre o absurdo de se compreender o mesmo objeto analisado sob diferentes perspectivas. Daí que eu penso que o "serumanu" se perdeu mesmo. Afinal, ele valora mais o seu do que o outro, mesmo quando o foco é o outro.&lt;br /&gt;E daí,claro, conversando com minha mãe identifico que a filosofia é uma ciência do pensamento, of course, e por isso mesmo absolutamente distante da praxis. Certo é que alguns filósofos foram seus pensamentos - e vice-versa, porém, acreditar na filosofia como uma realidade é uma bobagem utópica cheia de ingenuidade e paixão.&lt;br /&gt;A filosofia é bem um instrumento, o meio para um fim individual, não o fim em si mesma.&lt;br /&gt;Tá aí a grande arte da parada. É essa transmutação do macro para o micro, do conhecimento para a experiência, e assim vai... .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7683029146570188486?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7683029146570188486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7683029146570188486&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7683029146570188486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7683029146570188486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/06/quando-as-coisas-simplesmente-nao-tem.html' title='Quando as coisas simplesmente não têm explicação'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7366632748981811705</id><published>2009-05-09T15:44:00.001-07:00</published><updated>2009-05-09T15:45:09.566-07:00</updated><title type='text'>DO FIM</title><content type='html'>Porque você não vai&lt;br /&gt;De uma vez, SAI!&lt;br /&gt;Sim, e bata a porta&lt;br /&gt;Da rua encha a boca&lt;br /&gt;E grite: Puta!&lt;br /&gt;Todos já ouviram menos&lt;br /&gt;Do mundo&lt;br /&gt;E mais do desespero&lt;br /&gt;Mas, vá e não volte&lt;br /&gt;Que seus passos sejam ecos&lt;br /&gt;Do amor, sussurros dos lençóis&lt;br /&gt;Que o quente de seus beijos&lt;br /&gt;Apenas uma lembrança antiga&lt;br /&gt;Como o alento de seu sorriso&lt;br /&gt;Apenas um esboço no tempo perdido&lt;br /&gt;E na morte das tardes&lt;br /&gt;As mãos se buscavam cegas&lt;br /&gt;Para entender que de dois se era um&lt;br /&gt;Mas agora que tudo é partido,&lt;br /&gt;Quando nos partimos,&lt;br /&gt;Você está partindo&lt;br /&gt;Os pratos foram na parede partidos&lt;br /&gt;Eu fiquei aqui parte-ida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você não vai&lt;br /&gt;De uma vez, SAI!&lt;br /&gt;Sim, e bata a porta&lt;br /&gt;Não volte&lt;br /&gt;Nunca mais me toque&lt;br /&gt;Fique longe&lt;br /&gt;Do corpo e da mente&lt;br /&gt;Nunca existiu "a gente"&lt;br /&gt;Ah! Me deixe vazia&lt;br /&gt;Sem lembranças&lt;br /&gt;Sem despedidas&lt;br /&gt;Idas&lt;br /&gt;Parte&lt;br /&gt;Nossas&lt;br /&gt;Vidas&lt;br /&gt;Vai!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7366632748981811705?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7366632748981811705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7366632748981811705&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7366632748981811705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7366632748981811705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/05/do-fim.html' title='DO FIM'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-8118487359737942690</id><published>2009-04-30T09:27:00.001-07:00</published><updated>2009-04-30T09:53:28.369-07:00</updated><title type='text'>ELEGIA A SOLIDÃO MODERNA</title><content type='html'>&lt;p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E eu aqui pensando, não gosto mesmo de coisa muito pessoal. Em primeira pessoa só falo de outros, mesmo que eus, ainda assim não é aquele de hoje.&lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora se isso faço –&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;veja o primeiro tempo verbal conjugado - &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;porque quero é meter meu bedelho nesse mundo estranho. Eu vou até sentir falta do sertanejo brega que canta a saudade “do seu amor quentinho”, ou aquele papo-cabeça canção de quem se sente sozinho. &lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tudo pra dizer que eu quero mesmo é cada vez mais enlouquecer e me enfiar numa caverna com poucas coisas e jogar minha própria merda no chato que ousar passar por lá com toda essa parafernália moderna.&lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É Orkut, Twitter, celular-computador, computador-casa, casa-orkut, fotolog-amigos, eu já não entendo mais nada, essa coisa dessa gente falar tanto sobre coisa alguma. E toda essa especulação sobre a vida alheia só poderia tapar dentro de cada um, sei lá, quem sabe, algo do tamanho de um buraco negro existencial.&lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E a cada século o ser humano dá mais um grande passo na sua eterna cagada de não se conformar com sua própria insignificância perante o Universo e a magnitude da Vida, e decide criar alguma brincadeira infantil e coletiva para distrair-se da consciência individual e cruel.&lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu, como sempre digo, – e nem eu sei quem é essa aí que Vos fala – prefiro é ficar mesmo na minha vidinha besta pra caraleo, sem muitas coisas legais pra contar, sem muito me enfeitar e sem aprender a fazer bico.&lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E também, sem ser uma pra contar. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-8118487359737942690?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/8118487359737942690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=8118487359737942690&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8118487359737942690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8118487359737942690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/04/elegia-solidao-moderna.html' title='ELEGIA A SOLIDÃO MODERNA'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-1961086501248085251</id><published>2009-04-19T13:35:00.001-07:00</published><updated>2009-04-19T13:35:47.789-07:00</updated><title type='text'>APATIA A CABO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Pelo telejornal&lt;br /&gt;do canal pago&lt;br /&gt;Assisto o mundo&lt;br /&gt;Aperto a função mudo&lt;br /&gt;e tudo permanece ruindo&lt;br /&gt;em estrondoso&lt;br /&gt;SILÊNCIO!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-1961086501248085251?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/1961086501248085251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=1961086501248085251&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1961086501248085251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1961086501248085251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/04/apatia-cabo.html' title='APATIA A CABO'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4975187860676646106</id><published>2009-04-11T17:59:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T18:10:12.225-07:00</updated><title type='text'>TEMPOS MUITO DEMAIS MODERNOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele chegou e enfim consegui respirar novamente. O dia todo fiquei com medo. Permaneci escondida na sombra que os objetos faziam pela casa, conforme o sol cumpria sua rota astronômica. Chorei quando ouvi ruídos próximos da porta e pensei que talvez eles estivessem aqui para me levarem embora. Uma mosca estranha também tentou pousar muitas vezes em meu cabelo e fui tomada por um infinito terror. Por isso, quando ele entrou em casa eu respirei e sabia que não estava mais só e podia ser corajosa e ir até a cozinha tomar um copo de água. Ele parecia muito cansado e cumpriu com seus movimentos ordinários. Deixou a pasta sobre a mesinha próxima da porta. Tirou os sapatos e os colocou embaixo da cama. Tirou a roupa, e deixou-a sobre a cadeira. Depois tirou a minha. Alguns minutos depois levantou e foi ao banheiro. Eu fiquei olhando-o fazer xixi ainda deitada na cama. Senti ainda algum receio da vida estranha que estava vivendo sob a minha janela e pensei que talvez aquele ar de outras pessoas pudesse me fazer algum mal. Soltei um gritinho abafado e enfiei a cabeça embaixo do travesseiro. Ele voltou, abriu o zíper que descia desde o osso esterno até o umbigo, e retirou de lá os órgãos que ainda lhe restavam: o estômago, fígado e intestinos. Deixou-os dentro do jarro ao lado da cama e ficou ao meu lado dormindo com os olhos abertos. Eu enfiei a mão no buraco do meu peito, agora eu podia, com ele velando o meu sono, sim, eu conseguiria, e senti o passarinho que vivia entre os meus pulmões. Era um pequeno beija-flor asmático que, quanto mais as asas batia, mais perto da morte se aproximava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4975187860676646106?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4975187860676646106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4975187860676646106&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4975187860676646106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4975187860676646106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/04/tempos-muito-demais-modernos.html' title='TEMPOS MUITO DEMAIS MODERNOS'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-5017393411412527307</id><published>2009-03-23T14:18:00.001-07:00</published><updated>2009-03-23T14:19:51.016-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);" class="EC_MsoNormal"&gt;... O retorno do sentir&lt;/p&gt;    &lt;p class="EC_MsoNormal"&gt;E a distância da sua existência me ensinou a solidão maior. Por entre todas as pessoas e lugares, estou encarcerada pelas lembranças do que acredito que foi bom. Eu nem bem sei se é real toda essa falta de você. Eu só sinto essa enorme muralha que emerge do chão e cresce sobre o mundo e não sou capaz de sorrir de dentro. Eu poderia te carregar para algum lugar melhor longe dessa gente feia e sem graça. Eu gostaria de nos proteger desse final de tudo lento e decadente dessa cidade. Eu não compreendo muitas coisas, e cada vez mais a sabedoria não me pertence. E tudo é esse sentimento estranho, como se eu fosse capaz de voar, mas meus pés estivessem atados ao chão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal"&gt;E só me resta então a angústia e esse destino cego, essa vida sem saber, aguardar o acontecimento maior, o evento predestinado, como um novo nascimento em um corpo já muito antigo. Com grandes asas leves alçar vôo, sentir a poeira do chão subir, e buscar você lá de cima. E fugir para alguma terra alta, distante disso tudo, com o horizonte dolorido e livre, sentiremos o aperto no peito que só a felicidade transbordante da esperança real é capaz de proporcionar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal"&gt;E eu só peço, veja bem, é tão pouco, meu Deus, é quase nada, que você me conforte e em silêncio compreenda o incompreensível junto de mim com todas as palavras que só o silêncio maior produz. &lt;/p&gt;  &lt;p class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Veja só - suspira uma brisa que leva levemente os cabelos e arrepia calmamente na alma – estamos no coração da vida, soerguidos pelo mistério, nada aguardamos, além dessa sensação de algo que está realmente em seu lugar. ”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agora estou de volta com minha caixa de bagunças demasiadas humanas: www.caixaderascunho.blogspot.com  &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-5017393411412527307?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/5017393411412527307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=5017393411412527307&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5017393411412527307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5017393411412527307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/03/blog-post.html' title=''/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7182161523252782477</id><published>2009-03-03T07:09:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T07:11:23.288-08:00</updated><title type='text'>Big Mess</title><content type='html'>Eu só queria te dizer&lt;br /&gt;Eu nem sei bem como&lt;br /&gt;Tudo se perdeu&lt;br /&gt;E gostaria que alguém explicasse&lt;br /&gt;Uma formula secreta&lt;br /&gt;Que resgatasse&lt;br /&gt;Os momentos mágicos&lt;br /&gt;Algo de bom&lt;br /&gt;Entre nós&lt;br /&gt;E agora distantes&lt;br /&gt;Talvez eu acredite&lt;br /&gt;Que os detalhes&lt;br /&gt;Não fossem importantes&lt;br /&gt;E só restasse&lt;br /&gt;Os finais de tarde&lt;br /&gt;As alegrias&lt;br /&gt;Esperanças&lt;br /&gt;De uma vida mais&lt;br /&gt;Completa&lt;br /&gt;Que não soubemos&lt;br /&gt;Levar adiante&lt;br /&gt;Será que há&lt;br /&gt;Sabedoria no mundo&lt;br /&gt;Para dizer&lt;br /&gt;Eu e você&lt;br /&gt;O quê deveria ser&lt;br /&gt;Melhor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7182161523252782477?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7182161523252782477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7182161523252782477&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7182161523252782477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7182161523252782477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/03/big-mess.html' title='Big Mess'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-336152279180747293</id><published>2009-02-05T08:09:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T08:16:51.298-08:00</updated><title type='text'>Todo mundo fica triste quando chove</title><content type='html'>Eu olho da janela embaçada a tempestade que se forma e o vento que pode levar um bebê de dois quilos embora.&lt;br /&gt;Fecho a janela e o fim de tarde abafado cola a roupa em meu corpo. Acendo um cigarro, e penso que parei de fumar "pero no mucho". Sou a Deusa do Pero no Mucholand. Feliz “pero no mucho”, trabalhando “pero no mucho”, satisfeita “pero no mucho”, ainda te amo “pero no mucho”.&lt;br /&gt;Por aí vai, e começa a chuva, despenca de uma vez, os prédios encobertos pela névoa branca.&lt;br /&gt;A fumaça quente do cigarro, o calor úmido pegajoso em meu corpo, os pensamento lentos me enterrando e eu sem forças para jogar a terra fora.&lt;br /&gt;É isso, quando eu olho a chuva imagino todas as pessoas do mundo que por um segundo olham a água descendo para a terra e sentem-se mais sós, infelizes, ou simplesmente perdidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-336152279180747293?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/336152279180747293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=336152279180747293&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/336152279180747293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/336152279180747293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/02/todo-mundo-fica-triste-quando-chove.html' title='Todo mundo fica triste quando chove'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4327978439889833303</id><published>2009-01-19T13:01:00.000-08:00</published><updated>2009-01-19T13:02:40.375-08:00</updated><title type='text'>balcão</title><content type='html'>Ela colocou o copo em cima do balcão e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    - ainda gosto dele. Mais até do que antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome disso, pensei em dizer, é cantina do vale. mas acabei não dizendo.&lt;br /&gt;Ela colocou uma dose, bebeu, em seguida encheu o copo outra vez. Olhou para mim, fez que ia dizer algo, mas então sorriu alto, muito alto, e desceu as escadas, o cabelo caindo de lado, o andar meio trôpego e um cuidado enorme com o copo de vinho que ia levando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                    RM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4327978439889833303?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4327978439889833303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4327978439889833303&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4327978439889833303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4327978439889833303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/01/balco.html' title='balcão'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-5964604400186327822</id><published>2009-01-14T03:09:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T03:14:27.228-08:00</updated><title type='text'>Eu quero voltar mas o mundo não deixa</title><content type='html'>É começo de ano. Aquela vida janeiro, de esperanças exponenciais, e confesso que isso me deprime mais. Eu acho que perdi a mão e o sentido maior das frases. Eu deixo as flores murcharem longe de mim, não quero cuidar. Alguém me cobra atenção e eu desejo esquecer de tudo.&lt;br /&gt;Eu ando cansada e sei que não faço nada. Eu gosto da solidão e da minhas peculiaridades que me tornam um ser recôndito e estranho. Eu ando pelas ruas do Centro e não procuro respostas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-5964604400186327822?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/5964604400186327822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=5964604400186327822&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5964604400186327822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5964604400186327822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2009/01/eu-quero-voltar-mas-o-mundo-no-deixa.html' title='Eu quero voltar mas o mundo não deixa'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7102016383591889383</id><published>2008-10-30T04:42:00.000-07:00</published><updated>2008-11-05T04:05:41.028-08:00</updated><title type='text'>depois que a Lúcia morreu</title><content type='html'>Dia 13/10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto, meu querido, acabei de chegar de salvador. Não sei o que acontece, mas a cada dia me sinto mais estranho naquela cidade. Muita gente, muitos carros, muito barulho, e tudo é tão caro, tão longe...desta vez, fui para dar um jeito na situação da Melissa. Na verdade, fui para ver como é que ela tá mesmo. Parece que se desentendeu com a dona do pensionato em que está morando e cismou que não quer mais ficar por lá. Coisas da sua afilhada, você conhece bem. De uma hora pra outra,k sem avisar, ficou cheia de opiniões. Os filhos crescem, né. De qualquer forma, se a Lúcia estivesse viva, garanto que situações assim não aconteceriam. Consegui um outro lugar, mais caro um pouco. Falta ela dar uma olhada pra ver se aprova. Talvez na próxima semana. Quase não tem tempo, a coitada, vive na casa de colegas, fazendo trabalhos. Aproveitei que estava na capital, como a gente falava antigamente, e fiz uns exames. Recebo pelo correio quando estiverem prontos. Modernidades. Desconfio que não estou muito mal, só essa tosse que incomoda, mas é sempre bom dar uma checada. Bom, tô ligando mesmo é pra lembrar daquele nosso esquema de domingo que vem. Tá de pé ainda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 15/10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto, você não imagina quem apareceu aqui em casa hoje. Dona Miriam. Está bem acabadinha, mas a memória continua boa. Falou de mamãe, dos lençóis de retalhos que as duas faziam na varanda da nossa casa e de como nós aprontávamos naquela época. Está morando com uma filha, acho que a mais nova, Soraya. Encontrei com as duas no supermercado. Não esperava que aparecesse. Mas talvez tenha sido bom. Gosto das reminiscências. Quando ia embora, me abraçou e disse que eu estava a cara de papai. Achei estranho. Sempre me pareci mais com mamãe, era o que diziam. Não importa. Estou aqui me preparando para para ver o jogo do Brasil na tv. Depois que mudaram aquele zagueiro, parece que a coisa melhorou. Mas ainda não tô satisfeito. Hoje em dia parece que jogador não tem mais amor à camisa. E o esquema de domingo? Dá um retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 17/10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto, sou eu. Tenho pensado muito nessa coisa de estar parecido com papai. Mesmo que eu parecesse mais com mamãe quando novo, é possível que, com o passar dos anos, certas feições que herdei de papai tenham se acentuado. Há muitos casos assim. Sei mesmo de uma família que, quanto mais o tempo passa, mais eles se parecem. Fiquei boa parte da manhã de frente pro espelho. Acho que meus olhos são mais puxados agora. Talvez seja problema de vista, não sei. Você deve estar achando essa conversa meio estranha, mas realmente estou convencido de que alguma mudança aconteceu. O que é que você acha? Me liga aí, porra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 18/10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto, meu irmão, parece que nunca te encontro em casa, por onde é que anda? Tenho uns assuntos para conversar, saber sua opinião. A Melissa ligou ontem de noite. Diz que não quer mais ir para o pensionato que arranjei, vai dividir um apartamento com mais duas amigas. Tentei explicar que a situação está meio complicada, que já tinha a mensalidade da faculdade, mas ela fez um drama enorme, chegou a dizer que eu não a amava e que se a Lúcia estivesse viva iria entendê-la. Eu sei que não, mas não quis discutir. Vou me apertar, mas fazer o quê, não é mesmo? Coisas da vida. Por falar em aperto, viu o jogo do Brasil? Porcaria de time aquele. Se pudesse, mandaria todo mundo pro oriente, lá praquele lugar onde se toma chicotada quando se joga mal. Brincadeira, há,há... mas que a gente passa raiva, isso passa. E pensar que quando éramos moleques tínhamos um orgulho danado dessa camisa. Olha, sobre o esquema de amanhã, queria um retorno seu pra dizer o que é preciso comprar. Tenho pensado muito nessa viagem, mas nunca fui bom de organizar coisas, você sabe, fico apenas imaginando a gente lá, pescando robalo no cais, abrindo a casa velha, olhando as coisas que ficaram e sentando na varanda pra tomar uma cerveja e olhar o rio. Sempre fui meio sentimental, saudosista, você sabe, e depois que a Lúcia morreu fiquei um tanto sem chão. Difícil explicar assim. Sua natureza sempre foi diferente da minha, mais forte, auto-suficiente. Mas não quero te encher com os meus problemas. No domingo, iremos lá, será um dia apenas para matar a saudade. Vai ser ótimo, rapaz. Me liga tão logo chegue em casa, ta? Valeu... ah, outra coisa: Dona Miriam veio ontem outra vez, tocou a campainha durante uns cinco minutos, mas eu não atendi. Não sei porquê. O problema foi segurar a vontade de tossir. Coloquei uma toalha no rosto, mas achei que ela, mesmo assim, estava escutando. Fiquei sem saber se escutou realmente. Se encontrá-la no supermercado, digo que estava com uma gripe ou qualquer coisa do tipo. Bom, era isso. Se puder, dá um retorno. Mas acho que posso ir adiantando alguns detalhes antes de você ligar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Melo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7102016383591889383?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7102016383591889383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7102016383591889383&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7102016383591889383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7102016383591889383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/10/depois-que-lcia-morreu.html' title='depois que a Lúcia morreu'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-6072435103584456930</id><published>2008-10-16T18:16:00.000-07:00</published><updated>2008-10-16T18:18:26.252-07:00</updated><title type='text'>Des-geração</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele acordou sem saber e olhou no espelho. Abriu a torneira e lavou o rosto, mas continuou do mesmo jeito. Nem acreditou. O banheiro parecia a sucursal do inferninho do centro. Era tanta cueca espalhada que ele nem acreditou que eram todas de sua bunda. A escova de dentes amarelada dizia que era hora de consultar um dentista para não precisar de dentadura aos 30 anos. A roupa mais limpa estaria, provavelmente, no fundo do cesto abarrotado. Não sabia se era da azia ou da dor de cabeça, mas precisava vomitar. Dias de ressaca é isso, uma grande vontade de expelir os orgãos internos inteiros na privada. Dar uma descarga e encaminha-los ao rio Tietê, juntamente dos demais dejetos expelidos por todas as famílias sorridentes que atulhavam os parques aos domingos. Quem sabe pedir um transplante mais tarde, viver uma vida de retalhos humanos salvaria o arremedo que ele arrastava pelo apartamento naquela manhã natimorta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cigarros, aos montes, atolavam os cinzeiros, assim como os restos de cerveja. Estavam à disposição de algum desesperado que ousasse se utilizar dos restos mortais de noites retrasadas e cansadas. Podia, sim, voltar para a cama e rezar para acordar no paraíso muçulmano de mulheres com olhos rasgados e tez bronzeada, oferecendo-lhe orgasmos eternos. Mas ele era um filho da puta ocidental, de modo que a pós-vida seria uma coisa chata e tediosa com o soundtrack da Enya com diarréia cósmica. Passaria a eternidade dialogando com anjos de pintos pequenos e roliços que nem um viado ousaria utilizar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Queria telefonar para algum S.O.S. aos suicidas, mais um dos serviços indispensáveis a vida moderna, mas o telefone havia sido cortado. Afinal, ou se bebe ou se paga o telefone. No caso a escolha é óbvia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se voltasse para a casa dos seus pais poderia tomar um banho quente com sabonete perfumado, almoçar com talheres em um prato, e arrotar a abundância que ele nunca ousara procurar nos classificados dos jornais. Mas lembrou do que vira no espelho e desistiu, sua mãe sofreria mais um desgosto e enfartaria. Não suportava o olhar de frustração da sua mãe: “Qual foi meu erro?”. Do princípio: Casar com aquele babaca do meu pai que fica com a pança na carroceria do carro aos domingos, lavando os louros da vida burguesa. Depois, ter um filho e achar que ele poderia ser diferente dos demais fracassados dos rebentos vizinhos. Pois, então, mamãe, o seu erro foi acreditar na glória da esperança secular. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sentiu o gosto do bife a role, mas desistiu, não poderia corroborar aquilo que a senhora de grandes tetas esparramadas sabia no seu íntimo e infinito feminino. As mulheres eram foda. Por isso elas batiam a porta e quebravam pratos na parede. Há até certa histeria, mas ele reagiria da mesma forma se não tivesse a cabeça de baixo tão importante em detrimento de sua sinapse. Achou um livro abandonado ao lado do vaso sanitário que alguém havia dado a ele. Mas os óculos não estavam lá, assim adiaria para o próximo século a leitura de mais uma relíquia da humanidade.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se ainda tivesse alguma dignidade, enfiaria a cabeça no fogão e asfixiaria. Mas não tinha gás. Pôrra, que merda que ele era afinal?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;em&gt;Bianca Rosolem&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-6072435103584456930?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/6072435103584456930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=6072435103584456930&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6072435103584456930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6072435103584456930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/10/des-gerao.html' title='Des-geração'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-8970950373295444975</id><published>2008-09-26T07:42:00.000-07:00</published><updated>2008-09-26T07:54:50.921-07:00</updated><title type='text'>CATACUMBA</title><content type='html'>Um pouco viva. Acendo a luz e não abro a janela com receio de sentir gelar ainda mais os ossos. Tomei uma colherada de óleo de fígado de bacalhau e fiquei olhando a geladeira e nada me apeteceu. Deitei embaixo dos cobertores e esfreguei os pés de uma maneira única que faço, devagar, como um embalo ancestral de sono. Ali, o sono chegou enquanto o calor  aquecia o suficiente para dormir e párar de sentir o que não sinto.&lt;br /&gt;Acordei com mais sono, sentei no computador e não tinhas histórias para contar. Vazia, oca, minha mente é do tamanho de comprimidos que engulo sem muito questionar. Eu só tenho que me adaptar e controlar.&lt;br /&gt;Controle, acho que é tudo isso.&lt;br /&gt;Então, olhei para a minha rosa ainda botão, caída, nem vivia ainda e já de cabeça baixa desistia. Heroicamente desliguei as luzes abri bem aos poucos as cortinas.  Decidi que mesmo se for a tristeza de viver descontralada e fora dos padrões, única e isolada em um casulo solitário, a existência daquela flor ainda merecia vez. Seremos então, as duas, de cabeça erguida, do jeito que se é.&lt;br /&gt;Nem sempre nós salvamos sozinhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-8970950373295444975?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/8970950373295444975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=8970950373295444975&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8970950373295444975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8970950373295444975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/09/catacumba.html' title='CATACUMBA'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-3913697964316709555</id><published>2008-09-10T13:48:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T13:50:17.373-07:00</updated><title type='text'>Mais devagar, ou não.</title><content type='html'>&lt;div style="font-style: italic;" id="post_title"&gt;“As coisas não andam boas por aqui”, ele disse me olhando daquele jeito. Eu o ouvia enquanto fingia colocar ordem na bagunça da sala. Era só uma maneira de ouvi-lo sem envolver-me demais. “Fernando, meu querido, o nosso erro foi querer demais”, eu disse e me arrependi. Era uma grande bobagem e uma resignação decadente acreditar que os sonhos que nos moveram e nos enterraram foram grandes demais.(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 51, 204);"&gt;Queridos o restante do texto está lá no www.blonicas.zip.net&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;   &lt;!-- / Titulos das Mensagens --&gt;      &lt;!--  Textos do Blog --&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-3913697964316709555?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/3913697964316709555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=3913697964316709555&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3913697964316709555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3913697964316709555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/09/mais-devagar-ou-no.html' title='Mais devagar, ou não.'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-405772581927069629</id><published>2008-09-05T10:46:00.000-07:00</published><updated>2008-09-05T10:53:39.874-07:00</updated><title type='text'>APARTAMENTO 12</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma voz sussura na porta ao lado. Algumas tímidas batidas como se tivesse medo de quebrar algo. Trago o cigarro mais uma vez e mantenho-me em silêncio antes de abrir a porta. Ela não deveria estar aqui, vir aqui. Eu disse pra ela. Logo reconheci a voz que sussurava, mesmo antes eu sabia que era ela, que só poderia ser ela. Eu tinha-lhe dito que não era para ela vir ao Motel.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-405772581927069629?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/405772581927069629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=405772581927069629&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/405772581927069629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/405772581927069629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/09/apartamento-12.html' title='APARTAMENTO 12'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-1391099121874125904</id><published>2008-09-03T09:16:00.000-07:00</published><updated>2008-09-03T09:26:37.693-07:00</updated><title type='text'>A vida não é um livro de capa colorida</title><content type='html'>Vá ler auto-ajuda, conselhos sobre pensar positivo enquanto o mundo desaba em misérias e aos 28 anos seu bem  mais precioso é um ipod. A justiça é uma grande mentira, a subjetividade de algum filho da puta que quer se dar bem. A vida tá cheia de parasitas, respirando esse ar infecto e dando esbarrões no metrô para chegar mais rápido numa casa de bosta. Enche a cara, pensa na juventude que nunca foi. Tá fodido, cara. Você pensa em se matar e fulano acha a parada "barra pesada". Eu acho que o mundo vê muita sessão da tarde e revistas com fotos de gente bonita com vestidos da Versace, que na minha opinião são bregas pra caraleo. Ainda um otário que nunca olhou na sua cara quer entender o motivo e deduz que você quer vingança. Quando na verdade você já está tão magoado que não entende o que é amor e se ele pode realmente existir nesse mundo de merda. Aqui só existe vaidade, ambição, egoísmo.&lt;br /&gt;Te conto uma coisa maluca, parei o carro na banca de flores da Dr. Arnaldo e lá eu pedi gérberas amarelas que eu ganhei ainda decoradas. O cara fez do coração. Acho que ele viu lá dentro alguma coisa triste que ele também tem. E desse jeito ele me ajudou e não se sentiu tão só nessa confusão de mundo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-1391099121874125904?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/1391099121874125904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=1391099121874125904&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1391099121874125904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1391099121874125904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/09/vida-no-um-livro-de-capa-colorida.html' title='A vida não é um livro de capa colorida'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-9219373228677783030</id><published>2008-08-27T05:54:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T06:33:57.404-07:00</updated><title type='text'>LA REVANCHE DEL TANGO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SLVXlZDroCI/AAAAAAAAADo/N14rj2-vaW4/s1600-h/logo%5B1%5D%5B2%5D.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239190041408544802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SLVXlZDroCI/AAAAAAAAADo/N14rj2-vaW4/s320/logo%5B1%5D%5B2%5D.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Em breve sairá pela Mojo Books (&lt;a href="http://www.mojobooks.com.br/"&gt;http://www.mojobooks.com.br/&lt;/a&gt;), &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;LA REVANCHE DEL TANGO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;” de Emerson Wiskow&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SLVWQEIFbNI/AAAAAAAAADg/9EYzElHe0Es/s1600-h/logo%5B1%5D%5B2%5D.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-9219373228677783030?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/9219373228677783030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=9219373228677783030&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/9219373228677783030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/9219373228677783030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/08/la-revanche-del-tango.html' title='LA REVANCHE DEL TANGO'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_C9lMowQytmY/SLVXlZDroCI/AAAAAAAAADo/N14rj2-vaW4/s72-c/logo%5B1%5D%5B2%5D.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-6807816250738272209</id><published>2008-08-26T15:10:00.000-07:00</published><updated>2008-08-26T15:11:04.108-07:00</updated><title type='text'>LICENÇA PARA SER CLICHÊ</title><content type='html'>As flores estavam murchas e sem água. Eu esqueci mais uma vez. Talvez eu abra uma fresta da janela e mude o cd. O calendário ainda está em janeiro. O relógio da cozinha parou há muito tempo.&lt;br /&gt;Tempos estranhos por aqui. Prozac ou Gugu, uma felicidade idiota nos sorrisos clareados. Conversas de elevador sufocam de perfume francês as sete da manhã. Espremida, minha vida rende piadas no bar e linhas irônicas. Há algo de fantástico nisso, eu acho, me disseram. Nem lembro se foi este ano. Tenho uma pilha de livros para ler e não saio dos sebos da redondeza. Acho tudo muito barato e bonito, basta andar por aí para se ver. Se ao menos eu gostasse de colocar pôsteres no quarto...Mas não, até as fotos eu tirei.&lt;br /&gt;Esquecendo de esquecer, eu lembro cada dia mais. Eu posso dizer “Ô gente chata ducaralho”, mas prefiro pedir uma cerveja e sorrir. Abraço algumas pessoas e penso se elas podem estar realmente vivas fedendo daquele jeito. Tenho milhares de opções mas fico só com três. E ainda quero me livrar destas. Passo o ponto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-6807816250738272209?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/6807816250738272209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=6807816250738272209&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6807816250738272209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6807816250738272209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/08/licena-para-ser-clich.html' title='LICENÇA PARA SER CLICHÊ'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-2042786964570558615</id><published>2008-08-19T15:19:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T15:21:58.203-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DIVULGA'/><title type='text'>A OBVIEDADE DO AMOR</title><content type='html'>"Eu pintava as unhas dos pés de cor-de-rosa velho enquanto você colocava as calças. E fiquei olhando você as vestindo, sempre tão do mesmo jeito, que acabei por borrar a unha do dedinho que é pequena e difícil. Porra! Você sempre com tanta pressa e eu ainda com a toalha enrolada no cabelo.Aí você senta com aquela cara de “vai demorar a vida toda, né” e fica olhando para a T.V. Eu passo peladinha na sua frente, andando com os dedinhos do pé para cima para que não borrem, e você apenas move a cabeça para ver alguma gostosa do programa de domingo rebolar. Eu não sei muito bem o desenrolar da história, digo, como todo esse poder do corpo feminino siliconado-rebolativo aniquilou a sensualidade da mulher que anda nua com as unhas dos pés cor-de-rosa. (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Queridos, o restante do conto está todinho no novo endereço que publico, passem por lá: &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.blonicas.zip.net/"&gt;&lt;em&gt;www.blonicas.zip.net&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-2042786964570558615?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/2042786964570558615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=2042786964570558615&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/2042786964570558615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/2042786964570558615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/08/obviedade-do-amor.html' title='A OBVIEDADE DO AMOR'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-8622689825939049662</id><published>2008-08-06T09:24:00.000-07:00</published><updated>2008-08-06T09:26:05.854-07:00</updated><title type='text'>PAPEL CARBONO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%; color: rgb(255, 102, 102);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Eu fiquei sem saber como escrever.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt;Eu queria tanto ser tocada da sabedoria incomum, para usar as palavras que somente existem em algum lugar, muito longe do todo, apenas o distante pode expressar.&lt;br /&gt;E se você não as compreendesse, eu as imprimiria através de beijos de brasas e fome por todo seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt;E então, derrubaria do céu a chuva fina da madrugada que molha, suave, o guarda-chuva que a alma de poeta não carrega.&lt;br /&gt;Quem sabe tiraria você para dançar aquela música sussurrada e profana que percorre as esquinas e que somente nós ouviríamos.&lt;br /&gt;Eu pertenceria a você dissolvida em seu sangue, em seu gozo e em sua saliva.&lt;br /&gt;E dali eu nasceria todo dia como o sorriso que você marcou no carbono da minha emoção. E saberia.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt;A sua. Toda sou: Sua.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt;Nua eu viveria de sua impressão sem pressa sobre meu corpo. Sem pedir para acabar. Sem querer o fim.&lt;br /&gt;Eu derramarei uma lágrima pesada se isto, daquelas de olho que não quer fechar. De algo que não deseja doer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt;Do seu amor furtivo, escondido entre os lençóis e cortinas do seu palco, eu guardo o toque e o gosto da felicidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;" align="justify"&gt;Quando longe, esperando o chamar do telefone, meu corpo é como folha avulsa e em branco sobre a mesa. Para, então, ouvir sua voz: púrpura risca para colorir o meu prazer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-8622689825939049662?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/8622689825939049662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=8622689825939049662&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8622689825939049662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/8622689825939049662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/08/papel-carbono.html' title='PAPEL CARBONO'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-5496722742613611712</id><published>2008-07-23T04:43:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T11:54:47.819-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='hehehehe'/><title type='text'>BUNDAS SIAMESAS</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;(Uma odisséia sobre mulheres de seios fartos e ancas largas&lt;o:p&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Parte I&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;                              &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Um dia quente, úmido, abafado e viscoso, a roupa colava no corpo. Até as paredes suavam. Cássia Alessandra, enorme, deitada na cama observava a chuva se formando ao longe. A camisola de gestante grudava no corpo. Ela fechou os olhos e rezou para que suas bebês resolvessem nascer logo. Mesmo que fosse naquele dia, e o dilúvio que ameaçava a terra caísse e levasse todas as casas da rua. Por bem, ou por mal, já não agüentava mais a gestação pesada de duas crianças. Olhou seu corpo disforme e inchado, e da maneira que estava recostada no travesseiro não via sequer o dedão do pé. Apenas enxergava a imensa lua de sua barriga. Estendeu os braços e sentiu o suor escorrer de sua axila, alcançou o copo d água sobre o criado-mudo. Esse esforço foi o suficiente para que a bolsa rompesse e inundasse o colchão.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Adelino, o marido, saiu correndo em busca de sua mulher que berrava “vai nascer, vai nascer”, largando a TV ligada e o final do campeonato brasileiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;No hospital, depois de anestesia, choro e desmaios, cortaram a barriga para de lá tirarem o que chamam na ciência bizarra de xifópagas. Se não bastassem gêmeas idênticas, ainda eram grudadas. E o mais curioso é que as bebês uniam-se pelas nádegas. Melhor dizendo, cada uma tinha sua nádega, isto é, cada uma tinha seu ânus, porém na altura da carne que forma a protuberância chamada “bunda”, quase nas costas, elas estavam grudadinhas. Seu Adelino rezou e pediu perdão; Cássia Alessandra fez promessa. As bebês passaram por cinco minutos no jornal da noite na TV, a mãe chorou e o pai apenas pediu ajuda. O Bairro comovido fez novena e procissão. No final, Karla Adriana e Keila Cristina – já registradas no cartório da região - &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;foram separadas e a nádega comum foi igualmente divida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O pai muito preocupado com toda a repercussão, logo tratou de estabelecer medidas que atenuassem o trauma que toda a situação poderia infligir em suas meninas. Assim, desde cedo, Adelino colocava sapatos pesados – que ele próprio criara em sua oficina - para que as meninas forçassem a musculatura dos glúteos de forma que essa se hiper-desenvolvesse. Adelino sabia bem como mulheres ‘sem bunda’ eram preteridas na sociedade. Desta maneira, utilizou de todos os artifícios para que nunca alguém na rua apontasse para suas meninas e as ridicularizasse por compartilharem a mesma bunda, pouco restando então a cada uma. &lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Alimentação rigorosa, com muita proteína, leite, e claras de ovo, ainda exercícios localizados, constituía a rotina das meninas. A mãe nunca mais pensou em ter outros filhos, pois acreditava que seu ventre era amaldiçoado. Foi perdendo o juízo, e terminou no quarto dos fundos, antes a oficina de Adelino, bordando roupas para a Igreja enquanto cantava hinos evangélicos.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Mesmo a mãe ausente e um pai onipresente, não impediram que as gêmeas desfrutassem de sua condição. Viviam de troca com os pais, sendo que por meses eles tomavam Karla por Keila e vice-versa. Assim, era na escola, nas brincadeiras da rua, e mais tarde, nos primeiros namorinhos de mão.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Logo, quando com 14 anos a obstinação de Adelino mostrou seu resultado. Todos os rapazes da rua queriam namorar as Gêmeas Bundanesas, como então ficaram conhecidas. Nessa idade já eram madrinhas do bloco de carnaval e o pai batia palmas, orgulhoso,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;quando elas desfilavam seus traseiros fartos – 116 centímentros – pelas ruas do bairro em minúsculo biquíni.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Porém, essa aparente conduta libertina do pai não ia além do exibicionismo do predicado das moças. As gêmeas bundanesas desfilavam micro shorts, vestidos e saias minúsculos, mas ninguém podia tocá-las sem expressa permissão. Esse misto de erotismo e proibição criou uma aura mágica em torno das gêmeas. Se não bastasse a sua condição de igualdade física, elas ainda desfrutavam de toda a mítica criada em suas vidas. Cientes de seu poder, elas causaram mais confusão que o comando criminoso que dominava a região.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Brigas, fins de casamento, até morte. As gêmeas bundanesas eram lenda na cidade inteira quando completaram dezoito anos. Na festa, Adelino, incrivelmente feliz, bebeu, comeu, sambou e quando já estava muito cansado sentiu o luto de sua mulher recriminando tanta alegria. Olhou para o quartinho fechado desde sua morte e então teve a impressão de que lá ela ainda estivesse. Cansado, dominado pelo sono, cochilou na cadeira.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Alguns minutos depois chamavam os bombeiros. Adelino morreu de olhos já fechados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;As gêmeas bundanesas, as mulheres mais fartas e ancudas da história da cidade, estavam livres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-5496722742613611712?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/5496722742613611712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=5496722742613611712&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5496722742613611712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5496722742613611712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/07/bundas-siamesas.html' title='BUNDAS SIAMESAS'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-6535120463007751019</id><published>2008-07-15T17:09:00.000-07:00</published><updated>2008-07-15T18:29:42.205-07:00</updated><title type='text'>Corredor e baratas numa noite insone</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meia noite e exatos dois minutos. No Corredor pouco iluminado, apenas o escritor e uma barata que vaga parecendo não ter rumo. Ela encontra uma fenda entre a parede, um pequeno buraco ou passagem para o que pode ser sua moradia e entra. Desaparece. O escritor retira sua chave do bolso e assim que coloca-a na fechadura encontra um bilhete enfiado embaixo da porta. Ele pega o bilhete e lê. "Gostaria muito de ter o prazer de conhecê-lo. Adoraria que você aceitasse tomar um café comigo. Com carinho, Sueli. Apartamento número 12". Com o bilhete na mão o escritor entra em seu apartamento e some. Desaparece. Fica imaginando quem seria a mulher do apartamento número doze.&lt;br /&gt;Apartamento número 12. Meia noite e trinta minutos.&lt;br /&gt;Sueli revira na cama, fuma e esquece as baratas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Wiskow&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-6535120463007751019?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/6535120463007751019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=6535120463007751019&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6535120463007751019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6535120463007751019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/07/meia-noite-e-exatos-dois-minutos.html' title='Corredor e baratas numa noite insone'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-6146181768778726175</id><published>2008-07-13T06:34:00.000-07:00</published><updated>2008-07-13T06:36:20.554-07:00</updated><title type='text'>COLOSTRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  Não deu pra ver direito, mas creio que era “ciclo de sucção-degustação”. As letras pequenas, as palavras trocadas tão rapidamente que mal dava para acompanhar a velocidade do data show: uma palestrante explicando sobre mamadas e a forma certa de se banhar um bebê. Enquanto isso, um monte de mulheres grávidas, todas com os olhos e ouvidos atentos, vez por outra levantando-se para ir ao sanitário ou ao bebedouro, circulando pra lá e pra cá feito pingüins em marcha, os pés inchados, as barrigas enormes, preocupações.&lt;br /&gt;       Eu, discreto num canto, enganava o sono e tentava me entrosar ao ambiente, embora desconfiado de que não possuía muito jeito pra esses momentos sociais. Meu talento, como se diz, sempre se resumiu a disfarçar o meu desapego e o meu distanciamento em relação às formalidades e/ou obrigações. Levei a vida na xinxa, na minha, como quem não entendeu o recado muito bem.&lt;br /&gt;       O caso, no entanto, é que minha esposa, por demais inteligente e carinhosa, estava a duas horas sentada na cadeira ao lado, com a barriga imensa, atenta a qualquer explicação. Eu a olhava com aqueles olhos miúdos e me achava um tanto culpado por não entender tudo o que a palestrante lá na frente dizia. Eram termos novos, difíceis pra mim, e eu me sentia como se estivesse numa reunião da NASA, todas aquelas mulheres sendo um pouco astrônomos ou astronautas geniais.&lt;br /&gt;                          - E o colostro, alguém sabe dizer porquê é tão importante para o recém-nascido?&lt;br /&gt;       Ninguém sabia, mas também não tinha importância, era a hora do intervalo. Numa sala ao lado, sucos e salgadinhos esperavam pelas ansiosas e esfomeadas gestantes. Garçons distribuíam copos e guardanapos. Num canto, uma senhora cortava e colocava em pratos plásticos alguns pedaços de bolo. Tudo havia sido preparado com muito capricho, carinho. E então aqueles pingüins de batas e vestidos estufados aproximaram-se, curvaram-se sobre a mesa e em menos de cinco minutos não havia mais nada ali, apenas farelos e papel. A sala recendia a Hiroshima após a grande bomba. Coisas da vida. Num banco de madeira que ficava perto da mesa de sucos, minha esposa conversava com algumas novas amigas – pratinhos no colo, boca cheia, resto de queijo na ponta do nariz. Eu, discretamente, mordisquei uma empadinha de ricota, fria e quase sem gosto, numas de interagir.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Rodrigo Melo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-6146181768778726175?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/6146181768778726175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=6146181768778726175&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6146181768778726175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6146181768778726175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/07/colostro.html' title='COLOSTRO'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-3530711018223944945</id><published>2008-07-10T15:59:00.000-07:00</published><updated>2008-07-10T16:00:52.515-07:00</updated><title type='text'>Jukebox</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu quis chorar e disfarcei olhando para o balcão com os olhos imóveis. Tudo parecia mais despedida com aquela luz entrecortada pelo movimento do ventilador de teto. Poucas pessoas no bar àquela hora. E mesmo assim eu só conseguia ver você com aquela jaqueta de couro falsa. Aos meus pés, a mala de roupas e um buraco enorme. Um precipício. Tudo mais uma vez desconhecido. Uma porta do bar é fechada, faz aquele barulho de fim de tudo. E eu quero correr o tempo de volta. Virar a ampulheta e te encontrar. Novo começo. Quando, ainda, a história não havia encoberto o seu sorriso em nuvens de tristeza. Que momento esse seria, se naquele esbarrão do metrô, mesmo gentil em nosso primeiro encontro, já existia um cinza estranho projetado no seu olhar?&lt;br /&gt;Eu não sei, são tantos e todos os eventos na vida do ser humano. Tantas peças, nunca soube juntá-las. Nem sequer as minhas. Vide essa mala, sempre de lá pra cá, semi-aberta. Nada que carrego. Um vestido, uma sandália e uma caixinha de lembrar. E mesmo assim a mala parece tão pesada e pequena. Vai entender.&lt;br /&gt;E você diante de mim, agora, segurando o copo de alma selada. Sem nada falar. Mas, o único mistério, é essa sombra maior que seu corpo projeta na minha existência. E eu fico aqui, apagada, protegendo a mala da gente estranha desse bar na estação de trem. É madrugada, fria, gelando a ponta do nariz e doendo no coração. Eu tento decifrar, mas apenas me perco em considerações pessoais. Sobre você, tudo é tão simples que dói. Então, só me resta fantasiar alguma teoria louca, sobre o cinza das nuvens de inverno. Aqueles dias sem fim de frio e pouca cor. Como essa vida que mora atrás do teu olhar. Nessa maldita madrugada.&lt;br /&gt;Gasto um pouco de todo o dinheiro que tenho - contado para não morrer tão cedo – e coloco uma música na jukebox. Chamo você para dançar, não falo, apenas estendo a mão e te lambo com o olhar. Você me conforta no peito, e mexe as pernas muito devagar. Nós nos despedimos assim.&lt;br /&gt;Sem encontrar o nosso passo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-3530711018223944945?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/3530711018223944945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=3530711018223944945&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3530711018223944945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/3530711018223944945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/07/jukebox.html' title='Jukebox'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-6993877235776808262</id><published>2008-06-28T13:38:00.000-07:00</published><updated>2008-06-28T13:45:23.714-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desabafo'/><title type='text'>MAIS UM DIA, MAIS UMA, FOI, CONTINUA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Vamos nos salvar! Segura ali, naquele arremedo de existência, enquanto a noite mostra que é só mais um dia depois... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, escuta... Fica parado, encosta aqui... Eu vejo tudo se desintegrar e todos estão tão perdidos quanto nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há verdade além dessa embriaguez que consome todas as minhas esperanças... .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu já não vejo o amor como nas belas canções... Tão solitárias... .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós somos esta conversa entrecortada... Sem nexo, sem fim, sem começo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se eu soubesse a resposta, se eu não me sufocasse em indagações sem saber... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu Deus, onde você estará agora? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu gritei e ninguém ouviu do outro lado do balcão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quis prolongar este segundo maior, este momento que poderia ter sentido, eu racionalizo em palavras que jamais exprimiriam a verdade maior do meu peito... Peito?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se eu ainda tivesse um, mas é apenas um estraçalhado cá e lá, farrapos que eu tento costurar nesta tarefa humana demais... E eu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PORRA!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não quero nada disso, eu quero sentir a vida crescendo para nada ser além desse sorriso na janela... E o seu dia como memória da vida... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero amar e guardar retratos em branco e preto do que nunca poderia ter sido perfeito...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou humana. E tudo é tão longe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha mão aqui, sem sabedoria, sem palavras para dizer... .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao redor, apenas a bagunça de muitos dias, as memórias do que nunca foi bom e o seu fantasma sussurrando delirante no corredor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se eu sou feliz?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou viva, e todas as minhas histórias me fazem cantar uma música que ninguém conheceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero dizer para ninguém ouvir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero ser humildemente,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Derrotadamente,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;LIVRE! "&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-6993877235776808262?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/6993877235776808262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=6993877235776808262&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6993877235776808262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6993877235776808262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/06/mais-um-dia-mais-uma-foi-continua.html' title='MAIS UM DIA, MAIS UMA, FOI, CONTINUA'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-122044623803890775</id><published>2008-06-22T16:10:00.000-07:00</published><updated>2008-06-22T16:17:20.366-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desabafo'/><title type='text'>Choro seco</title><content type='html'>Hoje eu dormi muito e acordei mais cansada. Sinto ainda o ritmo estranho do meu coração e tenho medo de morrer a qualquer instante de uma maneira dolorosa e estranha. Existe uma vontade imensa de chorar e acredito que isso aliviaria essa angústia. Mas nem isso consigo, toda essa gente me roubou até isto. Já não choro, não sinto, ando apática por aí. Às vezes penso que estou feliz. Mas não estou. Não sei para onde ir. Hoje mudei o caminho para chegar ao trabalho, as ruas eram diferentes, mas sem novidades. Por que você não olha para mim quando fala comigo?&lt;br /&gt;Eu ainda tenho algumas coisas para acreditar, mas as escondo de nós. Só isso me resta. Estou triste enquanto a chuva seca na janela, fumo um cigarro. Não falei com muita gente. Eu caminho por aí e finjo satisfação enquanto engulo comprimidos. Eu sorrio também, e me sinto mais triste quando isso acontece. Na maioria das vezes faço isso porque sei que as pessoas esperam. Elas esperam e eu dou. Tenho nojo.&lt;br /&gt;Sinto falta e saudades de tudo que não conhecia. Hoje tudo é velho e sem motivo. Sei que é perda de tempo, que é mentira e irreal. Tanto a minha felicidade quanto a minha tristeza são meros frutos do meu teatro psicológico. Eu não vivo para isso, eu invento. Eu senti algo uma vez e guardei na gaveta junto com o bolor da sua existência.&lt;br /&gt;Acredito que ainda vou aprender mais algumas coisas. Eu aprendo rápido e enjôo da lição também. Gosto de algumas pessoas e as deixo perto de mim. Elas sabem. E entendem, poucas.&lt;br /&gt;Poucas são as virtudes, mas elas são. Eu me importo demais, eu penso demais. Eu vivo demais.&lt;br /&gt;Eu tenho uma força maior que eu mesma que me sufoca até um grito sem voz. Eu chorava no escuro quando tudo morria ao meu redor. Mas ainda está guardado, em algum lugar. "Deus", estará por mim, então?&lt;br /&gt;Ainda caminharei solitária e feliz na imensidão das formigas, hoje sonhei com elas. Hoje eu rezei por algo melhor. Eu quis acreditar por nós. Mas vejo a água descendo lenta pelo ralo da pia, escorrendo, escorrendo. A vida, a vida.&lt;br /&gt;Algum badalar distante, eu vejo...Longe. Choro seco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-122044623803890775?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/122044623803890775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=122044623803890775&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/122044623803890775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/122044623803890775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/06/choro-seco.html' title='Choro seco'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-5674047798539805634</id><published>2008-06-11T13:26:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:32:40.854-07:00</updated><title type='text'>Um homem de sorte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000066;"&gt;Todas as marcas do teu cigarro serão esquecidas num cinzeiro repleto de baganas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000066;"&gt;Motel 3:hs da madrugada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Medina Valdez chegou ao motel no meio da madrugada com uma prostituta, conheceu-a naquela mesma noite em uma boate. Depois de alguns drinks, cigarros e risadas, Medina resolveu levá-la para passar a noite em sua companhia no motel que está hospedado. Medina já se imagina enfiando-lhe entre a bunda. Ele enlaça a mulher de longo cabelo preto, desgrenhado ao chegarem na portaria engolida pela madrugada fria. Os dois fumam e ela marca o cigarro com batom.&lt;br /&gt;- Senhor Medina! Senhor Medina! – grita à senhora Wagner surgindo como se do nada.&lt;br /&gt;Medina vira-se com desdém absoluto. Carrega sua grande carteira enfiada na cintura da calça como se fosse uma arma.&lt;br /&gt;- O senhor pode vir até aqui?&lt;br /&gt;Sim..., responde ele grudando a barriga no balcão.&lt;br /&gt;- O senhor sabe. Não pode trazer prostitutas a esse motel. São regras da casa.&lt;br /&gt;- Senhorita Wagner. Essa moça não é uma prostitua, é minha namorada.&lt;br /&gt;- O senhor parece ter muitas, senhor Medina.&lt;br /&gt;- Sou um cara de sorte.&lt;br /&gt;- Estou vendo, senhor Medina. Dá para notar. Mas sem prostitutas aqui.&lt;br /&gt;Medina pega a carteira e retira algum dinheiro. A velha senhora Wagner observa calada, os olhos afiados.&lt;br /&gt;- Pegue. É por concordar que minha namorada durma aqui essa noite.&lt;br /&gt;A velha sorri como uma cobra esperta.&lt;br /&gt;- Gracias, senhor Medina.&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;Medina volta para a mulher que espera impaciente com outro cigarro entre os dedos. Medina é um colombiano de meia idade, barrigudo, gosta de fumar charutos e beber. Chegou ao motel carregando uma enorme mala. Parece ter muito dinheiro e diz que é um homem de sorte.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Wiskow&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-5674047798539805634?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/5674047798539805634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=5674047798539805634&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5674047798539805634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5674047798539805634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/06/um-homem-de-sorte.html' title='Um homem de sorte'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-5122846426674719576</id><published>2008-06-06T05:12:00.000-07:00</published><updated>2008-06-06T05:15:17.936-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desabafo'/><title type='text'>AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Um dia você sente ódio. O corpo queima a garganta estreita e os olhos ardem. Então você grita com seu pai e dispara uma corrida até o quarto permanecendo o resto da noite lá trancado. Chorando.&lt;br /&gt;Você cresce, sente ódio e bate a porta do carro, o telefone, a mão na parede e um vaso que quase acerta a cabeça de alguém. Você chora muito pouco, bebe muito e dorme bastante.&lt;br /&gt;Você trabalha e sente ódio, e manda numa conversa amistosa com ironia nos olhos sua chefe enfiar no cu seu modo caipira de administração. Depois disso, se inscreve em aulas de boxe próximo ao trabalho e todos os socos no saco de areia são dedicados à Gorda-Feia-Mocréia-Caipira que acha que é gente.&lt;br /&gt;Você sente ódio e nunca mais dirige uma palavra ao escroto machista que trabalha com você e acha que é um tipo quando na realidade é um porco ignorante e limitado.&lt;br /&gt;Até que um dia aulas de boxe, remédios, fitas de meditação e paciência de poucos amigos não são mais suficientes.&lt;br /&gt;Você sente ódio. E descobre que odeia porque na realidade gosta de pessoas mortas. Sim, muito mais do que vivas.&lt;br /&gt;Um dia você realmente alivia seu ódio e percebe que nunca mais poderá parar. Não mais. Então vive em muitos lugares, sempre em busca de um modo de parar o que sente dentro. O calor, a febre, a vontade de tirar um elefante da garganta e do peito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Você acorda então em muitos lugares estranhos. E todos esses lugares são você.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Bianca Rosolem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-5122846426674719576?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/5122846426674719576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=5122846426674719576&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5122846426674719576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5122846426674719576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/06/ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.html' title='AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-1423420673720030587</id><published>2008-06-01T09:55:00.000-07:00</published><updated>2008-06-01T10:15:32.360-07:00</updated><title type='text'>Claudia Cardinale</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um pouco de Claudia Cardinale. Isso era tudo. Gabriel quebrou tudo em sua volta e saiu correndo. Deixou Luana na noite suarenta que se transformou-se em tempestade. Luana ainda tentou-lhe lhe  acertar com uma garrafa de vinho barato. A única que eles tinham em estoque entre baratas e sonhos mal resolvidos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Foda-se tudo. Foda-se você! - gritou Luana. Foda-se seus sonhos com essa tal Claudia Cardinale.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gabriel quase chrou e segurou-se num ódio imenso. Pegou suas coisas com presa, jogou o que pode dentro de sua mala, junto o velho albúm com fotos de Claudia Cardinale. Com o corpo como se fosse explodir saiu porta afora como um urso furioso. Bateu a porta com toda a força que pode, e enquanto partia ainda ouviu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você é um louco, um desgraçado, um lunático que sonha com uma mulher que não existe! Um homem que ama uma mulher fantasma!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gabriel seguiu firme no meio da noite em busca de algum motel para dormir, e sonhar com Claudia Cardinale.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Wiskow&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-1423420673720030587?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/1423420673720030587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=1423420673720030587&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1423420673720030587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/1423420673720030587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/06/claudia-cardinale.html' title='Claudia Cardinale'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-5678238556429540301</id><published>2008-05-29T15:10:00.000-07:00</published><updated>2008-05-29T15:13:04.074-07:00</updated><title type='text'>Os suaves pés de Carolina chutam cabeças.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Carolina chega no início da madruada. Bate na porta, pede um quarto, sorri como a brisa. Diz que ficará por apenas uma semana. Pega a chave e sobre as escadas com seus suaves pés. Ontem, eles chutaram a cabeça de seu ex amante. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-5678238556429540301?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/5678238556429540301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=5678238556429540301&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5678238556429540301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5678238556429540301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/os-suaves-ps-de-carolina-chutam-cabeas.html' title='Os suaves pés de Carolina chutam cabeças.'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4918083291100008516</id><published>2008-05-28T16:17:00.000-07:00</published><updated>2008-05-28T16:19:15.527-07:00</updated><title type='text'>vingança</title><content type='html'>Ele subiu no caixote de madeira, desses que usam para transportar maçãs, e gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - De hoje em diante, quem quiser roubar, matar, estuprar ou o que for, tem que falar comigo antes. Quem manda nessa porra agora sou eu, estamos entendidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve sequer um murmúrio na sala abarrotada. Apenas aqueles olhos arregalados, as cabeças balançando pra cima e pra baixo, os dedos entrelaçados uns nos outros e um suor escorrendo da testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Bom, era só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele desceu do caixote, cruzou a sala, olhando no fundo do olho de cada um, e saiu. Lá fora um carro o esperava com motorista e uma loira no banco de trás. Ela vestia uma dessas roupas de vinil preto. Ele a puxou a seu encontro e beijou-a um beijo cheio de força e desespero. Ela tentou se desvencilhar, mas apenas tentou. Com um homem grande e bruto daqueles, necessário mais que força: vingança, ódio, dor. Lembrava-se dele quando, ainda menina, o viu matar todos na casa, os pais, os avós, os irmãos e os bichos de etimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              - Qual o seu nome, doçura? – ele perguntou.&lt;br /&gt;              - Nádia – ela disse.&lt;br /&gt;              - Humm... Então, Nádia, me diga: será que você me agüenta em cima duma cama? – e então sorriu alto, como se ganhasse uma guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela também sorriu, e isso até caiu bem, mas enquanto ele pensava em sacanagens e fantasias, ela sorria imaginando os golpes que Ming-ho, o velho chinês, lhe ensinara há alguns anos, quando foi sua discípula no Castelo de Groomannn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                              rodrigo melo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4918083291100008516?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4918083291100008516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4918083291100008516&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4918083291100008516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4918083291100008516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/vingana.html' title='vingança'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-5716927313419878185</id><published>2008-05-20T15:34:00.000-07:00</published><updated>2008-05-20T15:43:03.093-07:00</updated><title type='text'>CONFESSIONÁRIO</title><content type='html'>Honestamente, quando eu não precisava mentir para me sentir confortável com minhas ambições, eu podia aceitar o fato de que ele não era próximo de meus desejos mais íntimos.&lt;br /&gt;Realmente distante, como galáxias e universos. Velocidade da luz mesmo, milhões de anos. Cada um em um canto da existência que não se compreende em ciência alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem atrativos físicos, por vezes chato e irritante, ainda assim ele era divertido. Apesar de fingir grande excitação quando não a sentia, eu suspirava e fechava os olhos. Não preciso de muitas preliminares e de foda interminável. Eu sempre preferi a coisa rápida e intensa. O único instante de minha vida no qual nada penso. Não penso. Só depois, com o cigarro aceso, percebo: Algo aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, eu acredito que ele gostava de toda uma cena, de horas ali, entra e vai, e eu entediada pensando na próxima posição, aborrecida, cansada de gozar. Rezava para ele logo terminar seu exercício de narcisismo. “Meu falo é tão controlado, tão controlado”...  Logo, era um chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado, o ar pesado e o corpo amolecido, ele permanecia deitado, descansando comigo, cúmplice, com um abraço cuidadoso. Algum tempo depois se levantava devagar, deslocando-me a um canto da cama. De certo presumia que eu dormia de exaustão da maratona sexual que ele havia me proporcionado. Eu fingia esse mérito também, para então ouvi-lo assobiar tímido no chuveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele retornava ainda molhado e me beijava leve para um despertar. Eu nunca dormia ou sonhava, mas fazia um olhar sonolento. Eu acendia um cigarro e, com a cabeça apoiada em suas coxas, olhando para seu rosto, pedia: Faça-me nova em outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele então poderia ficar por horas dizendo tantas coisas sobre alguém que ele nem tão bem conhecia ou deveria. E esse alguém tinha o meu jeito de despentear os cabelos e também passava batom sem mirar-se no espelho. A minha heroína que ele sonhava era feliz, corajosa, honesta e conquistadora. Ela não tinha tantas dívidas na gaveta, ou remédios no armário do banheiro. Nem bebia tanto Martini barato. Era champanhe em linda taça, que refletia todo seu brilho em meus olhos, e então eu ficava tão bonita que ele dizia que me amava. Fogos de artifício e música se ouviam, e o mundo girava lentamente ao nosso redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele muito contava de todas essas vidas que éramos nós em lugares que nem sequer no mapa eu conhecia, e emoções que eu já ressentia eram vivas e também esperanças e pôr-do-sol e sorrisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cansava, acredito que era culpa da realidade barulhenta que subia até nossa janela nas madrugadas. Sirenes, cusparadas e discussões baratas. Ainda assim, permanecia admirando-o e cantava alguma música triste em minha cabeça observando o movimento de seus lábios sonhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já não mais poderia ouvir.&lt;br /&gt;Só deixava meu corpo sentir a vibração de sua voz.&lt;br /&gt;Um dia eu voaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bianca Rosolem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-5716927313419878185?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/5716927313419878185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=5716927313419878185&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5716927313419878185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/5716927313419878185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/confessionrio.html' title='CONFESSIONÁRIO'/><author><name>Bianca Rosolem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00989897003394040117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mx8pFL4y5ds/Sbrk9h4NFDI/AAAAAAAAAK8/cLu_tEqMorA/S220/blog+2.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-4492729684751416298</id><published>2008-05-20T05:41:00.000-07:00</published><updated>2008-05-20T08:05:35.385-07:00</updated><title type='text'>Sueli</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não há nada lá fora. Apenas ruídos e a lua cheia clareando a noite. Nenhum barulho no corredor, os apartamentos que enfileram-se no corredor parecem não terem vida. Sueli veste-se, olha o arranjo de flores artificiais sob a mesa e corta um suspiro ao meio. Sueli ficou sabendo por alguém que um novo morador havia mudado-se naquele dia para o motel. Alguém falou algo sobre ele ser um escritor. Sueli nunca havia encontrado um antes, tinha em seu imaginário que escritores fossem seres quase mitológicos, que andavam sob a terra como anjos, fantasmas, criaturas diferentes de todo o resto, que andavam sobre a terra, mas poucos tinham visto ou convivido com um. Sueli enganava-se sem saber que a meada de um escritor fedia tanto como a de outro qualquer. Sueli espia a lua, linda, grande, parece sorrir lá de cima. Ela sorri satisfeita. Sueli procura o maço de cigarros entre as coisas na estante. Acende e vai até a janela, dá uma tragada e solta a fumaça com prazer, pensa no novo morador e quando percebe sente-se como se estivesse apaixonada. Sueli mora no motel há muitos anos. Conheceu muitas pessoas por ali, até mesmo fantasmas, mas nunca um escritor, ela pensa enquanto traga seu cigarro dando baforadas para a lua.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Emerson Wiskow&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-4492729684751416298?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/4492729684751416298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=4492729684751416298&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4492729684751416298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/4492729684751416298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/sueli.html' title='Sueli'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-6449600520246187169</id><published>2008-05-17T11:45:00.000-07:00</published><updated>2008-05-17T11:49:06.705-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desabafo'/><title type='text'>“NÃO QUERO NADA NÃO”</title><content type='html'>Um pouco de imaginação e você pede “mais uma, por favor”, enche o copo e dá aquele golaço fechando os olhos. Nesse meio tempo, de olhos fechados para abrir, dá para sonhar. Se conversa de alcoólatra, eu pulo, porque a novela da Globo já usa demais o assunto.&lt;br /&gt;É só vontade mesmo de sentar em algum lugar e deixar o tempo passar passando, e tudo é passeio. Conversa de menos, a cabeça pensa demais, e racional ando em excesso, e falta tragédia picada crua nas minhas palavras.&lt;br /&gt;Se critico, sou uma chata, pedante, arrogante – alguém pode elogiar mais, por favor? Se poetizo, morro no inferno doce das utopias. E, quando reclamo em primeira pessoa, me coloco na frente da roda da vida, expondo meu umbigo da bunda para qualquer pontapé errado. E, quem pensa que saio ganindo - ledo engano! - sou cadela safada, que volta e pede mais. Aprendi “de pequena” que tapa – só de amor, hein! – educa e faz crescer.&lt;br /&gt;Eu lá fiquei com as baixinhas e se algo cresceu, foi essa rudeza com o mundo e uma perversão masoquista DO eu PARA o eu. Psicanálise eu faço baratinho, senta aqui do meu lado que eu não fujo, pode chorar sim, eu até gosto, deixa só um “bocadinho” para que eu também possa desfiar os retalhos dos meus fundilhos.&lt;br /&gt;Veja lá, estou quase reclamando...Entenda, estou quase agüentando... Eu sinto é saudades de algo que eu nunca vivi. É esse cheiro estranho desses dias de muito se gostar só. Passa alguém e sinto esse perfume de quem não lembro. Estou intrigada pelo conhecimento do dono cheiroso dessas memórias perdidas. E, sabe, vou confessar que isso ainda me deixa um pouco feliz, quase esperança. E também, conseguir no outro dia acordar e fazer tudo igual sendo que dentro está tão diferente parece uma força. Eu acho que tenho mais fé que pensava.&lt;br /&gt;E parece uma coisa redonda que vai, vai, vai, e caí ali, exatamente no tropeço inicial. O mistério é o suspense de viver. Mas o segredo é besta, como o mordomo ou o Coronel Mostarda, na cozinha, com o candelabro.Esse é tabuleiro e as cartas são marcadas, “vai se acreditando esperta, menina”. Mas eu realmente não estou pensando nada não, são as palavras fugindo e a cerveja esquentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Bianca Rosolem&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-6449600520246187169?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/6449600520246187169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=6449600520246187169&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6449600520246187169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6449600520246187169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/no-quero-nada-no.html' title='“NÃO QUERO NADA NÃO”'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7452725564229497692</id><published>2008-05-16T13:16:00.000-07:00</published><updated>2008-05-16T13:19:44.262-07:00</updated><title type='text'>anos 70 na casa da minha avó</title><content type='html'>Minha avó Hilza bebia uísque nacional, Drurys ou Old Eight, e usava umas camisas estampadas com desenhos de flores, araras e florestas tropicais. As camisas pareciam batas, com as golas e as pontas das mangas feitas com tecidos lisos, de uma outra cor. E ela gostava dessas batas, andava pra lá e pra cá, toda colorida. Os filhos a chamavam respeitosamente de “A Velha”, e pode-se dizer que era uma velha bacana – do palavreado, coisas bonitas e espirituosas, simples também, e a Pantera cor de rosa passando na tv, o buraco com as comadres, o time do coração estampado no fundo do cinzeiro e ela a sorrir, talvez lembrando das ruas do Jorro, pra onde ia com a parentada no verão: as ruas de barro e o sertão, mingau de milho, tapioca, feira de manhã.&lt;br /&gt;Das lembranças muito nítidas, um tapa por quebrar um jarro, a gaveta do guarda-roupa com os sacos de balas Soft e de chocolate, a cozinha sempre cheia e lá fora o quintal, grande, com rex amarrado num canto e os pés de acerola, carambola e biri-birí. Havia também a mesa farta, de gente e de comida, e a troca de pratos e conversa que não acabava mais. Dias bons, anos bons, o mundo possivelmente tinha mais serenidade e inocência.&lt;br /&gt;Meu avô por essa época andava nas roças, cuidando dos negócios da família e de outros também. Nas horas vagas, aparecia. A velha, que tinha o coração mole e grande, aceitava-o com o melhor sorriso. E então nesse dia fazia sol, e de uma hora para outra as balas Soft surgiam como num passe de mágica, e havia sempre futebol na tv, pudim de leite com calda de ameixa sobre a mesa, acerolas no quintal, Rex fugindo para a rua e a impressão de que essa vida corrida, ingrata e por vezes louca estaria sempre aqui, na palma da minha mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     Rodrigo Melo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7452725564229497692?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7452725564229497692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7452725564229497692&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7452725564229497692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7452725564229497692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/anos-70-na-casa-da-minha-av.html' title='anos 70 na casa da minha avó'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-6536362272805310337</id><published>2008-05-09T08:39:00.000-07:00</published><updated>2008-05-09T08:44:04.761-07:00</updated><title type='text'>,,</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordou e foi até a pia do banheiro. No meio do caminho, lembrou do exame que teria de pegar à tarde, da construção que não acabava, da gravidez da mulher. Lavou o rosto, sentou-se para tomar café, em seguida levantou-se e foi na obra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        - faltou brita...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participara de um show na noite anterior, também parou na frente do computador e pôs-se a treinar Excel, ligou para a mãe, fez uma lista de compras – farinha de trigo, queijo, uma janela de vidro para a construção. Por vezes o dia amanhecia meio nublado e ele se escondia, por vezes fazia sol e vinham as iluminações e ele se descobria único: poderia estar em outro corpo, ter outros pés, outras mãos, outra mente, mas veio e nasceu um pouco assim e se transformou no que era agora – e se nascesse libriano, chinês, gabiru? E em outro país? E as tais reencarnações, hein? Tanta coisa pra pensar se existe ou não, afora a realidade das matemáticas das lojas de materiais, do falso bom humor dos vizinhos, do calor do sol, do estoque na despensa ou a ressaca da noite anterior. Preguiça pra ser tantos. Preguiça e medo. Enquanto não se decide, espera os dias passarem, torcendo para que Deus lhe dê sorte e uma filha cheia de compreensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       - faltou areia e cimento também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a vida seguindo a correnteza do mar, lá embaixo um arco-íris dizendo que não vai mais chover.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                                                                            Rodrigo Melo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-6536362272805310337?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/6536362272805310337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=6536362272805310337&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6536362272805310337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/6536362272805310337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/blog-post.html' title=',,'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-7763835604041386495</id><published>2008-05-06T05:51:00.001-07:00</published><updated>2008-05-06T05:53:15.467-07:00</updated><title type='text'>Motel - Chegada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Carlos entrou na recepção do motel. Trazia consigo apenas uma mala atrolhada de coisas. O sol ainda refletia um suave abraço nas coisas. Uma sensação de bem estar percorreu-lhe o corpo. Uma mulher com o cabelo pintado de vermelho atendia atrás do balcão da recepção. Aparentava algo em torno dos quarenta, quarenta e cinco anos. Tinha seios fartos, ancas largas. Carlos pediu um quarto e observou enquanto ela foi até um velho armário pegar um livro. Os raios do sol manchavam a mesa, listrava um sofá azul marinhos e o chão da pequena saleta da recepção.&lt;br /&gt;Apartamento número dois, disse a mulher sorrindo e dando-lhe a chave depois de pegar algumas informações de costume.&lt;br /&gt;- Apartamento número dois - repetiu Carlos. Obrigado.&lt;br /&gt;Carlos subiu as escadas e sumiu no corredor.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Emerson Wiskow&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-7763835604041386495?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/7763835604041386495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=7763835604041386495&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7763835604041386495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/7763835604041386495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/motel-chegada.html' title='Motel - Chegada'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9152167146014338114.post-677875887726663161</id><published>2008-05-06T02:59:00.000-07:00</published><updated>2008-05-06T05:39:40.311-07:00</updated><title type='text'>QUANDO VOCÊ NÃO DISSE MAIS "EU TE AMO"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Você virou, deixou-me suas costas e dormiu. Ainda permaneci olhando o teto sem forro e as teias de aranhas na vigas. Sentia frio. Eu olhei para você querendo dizer algo sobre os insetos mas te estranhei. Olhava suas costas e não entendia. EU NÃO ENTENDIA. Apoiei a cabeça com as mãos e olhei seu rosto. Procurei por algo. Permaneci assim por um tempo. O corpo semi-ereto, olhando por cima de seus ombros: O seu rosto. Tinha algo de bom e algo de ruim. Dentro de mim. Eu não acreditava, não sei se por sua falta ou pela minha. A fé estava escondida em algum lugar daquele quarto, você procurou aquele dia mas só encontrou um maço de cigarros vazio. Eu poderia dizer muitas coisas, mas nunca conseguia. Poderia dizer do quanto quero, mas algo me faz engolir as palavras junto com a bebida. Eu tenho coragem, só duvido da sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aranha fazia sua teia, paciente, ela traçava destinos e fins. Alí algo iria morrer. E sempre morria dentro de mim, também, e eu sentia uma tristeza que me fazia ficar embaixo do chuveiro quente. Eu chorava ali, encolhida, sentindo a água, e você nem percebia enquanto fazia a barba.&lt;br /&gt;Eu chorei algumas outras vezes também. Poderia estar chorando agora, vislumbrando suas costas frias e distantes como as paredes. Mas acho que algo perdeu-se naquelas teias antigas do telhado e da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansei a cabeça no travesseiro, esperando por algo maior. Exstia uma vida insatisfeita e faminta, algo ainda incompreensível que me fazia querer correr.&lt;br /&gt;E quanto mais de fome eu doía, e quanto menos eu respirava, eu procurava o calor de seu corpo estendido e inerte. E depois do conforto instantâneo, ficava perdida novamente. Era uma falta sem saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei ainda procurando por algo sobre nossas cabeças, alguma resposta, algum alívio, algum fim sem sentido. Sem sentir. Sem viver aqui esperando o retorno das suas costas. A aranha está ali, nos olhando, tecendo, cuidadosa. As suas costas e as paredes. Sozinha.&lt;/div&gt;                                                                                                                                              &lt;span style="color:#990000;"&gt;Bianca Rosolem&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9152167146014338114-677875887726663161?l=mothel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mothel.blogspot.com/feeds/677875887726663161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9152167146014338114&amp;postID=677875887726663161&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/677875887726663161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9152167146014338114/posts/default/677875887726663161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mothel.blogspot.com/2008/05/quando-voc-no-disse-mais-eu-te-amo.html' title='QUANDO VOCÊ NÃO DISSE MAIS &quot;EU TE AMO&quot;'/><author><name>motel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05433862568022554629</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
